Ibovespa sobe após 11 quedas seguidas, mas petróleo e tensão entre EUA e Irã limitam recuperação
O Ibovespa avançava 1,82%, aos 169.366,42 pontos por volta das 12 horas, desta quarta-feira, 19, interrompendo uma sequência de 11 sessões consecutivas de queda.
A alta ocorre após uma perda acumulada próxima de 7% e, por enquanto, é vista mais como uma recomposição de posições do que como uma reversão definitiva da trajetória recente da Bolsa.
A recuperação dos ativos brasileiros acontece em um cenário de dólar mais fraco.
A moeda americana recuava 0,36%, para 5,2 reais, reduzindo a pressão sobre empresas brasileiras endividadas em dólar ou dependentes de insumos importados.
Para Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, o movimento também está relacionado à expectativa pela ata do Federal Reserve.
Caso o documento indique manutenção dos juros americanos até o fim do ano, a atratividade dos títulos dos Estados Unidos pode diminuir marginalmente, abrindo espaço para uma recuperação de ativos de mercados emergentes.
Um dos principais pontos de atenção está no petróleo.
O Brent avançava cerca de 0,5%, negociado próximo de 91,50 dólares por barril, diante das incertezas relacionadas às negociações entre Estados Unidos e Irã e aos possíveis desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
Continua após a publicidade O movimento tem efeitos diferentes sobre a Bolsa brasileira.
De um lado, a valorização do petróleo beneficia Petrobras e outras empresas do setor, que possuem peso relevante no Ibovespa.
De outro, a alta da commodity pode pressionar a inflação, os custos de transporte e os preços de diversos insumos.
“O mesmo petróleo que ajuda o índice pelo peso das commodities pode impedir uma alta mais ampla ao limitar cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos”, afirma Murad.
Continua após a publicidade Além disso, os juros longos dos Estados Unidos continuam pressionados, enquanto as negociações entre Washington e Teerã permanecem travadas.
O cenário cria uma combinação de fatores que pode dificultar uma recuperação mais consistente dos mercados.
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