Amorim chama de 'bizarra' forma como EUA indicaram embaixador para o Brasil
O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, classificou hoje como "bizarra" a forma como os EUA conduziram a indicação do deputado federal da Flórida, Daniel Perez, para assumir a embaixada americana no Brasil.
Celso Amorim falou sobre o assunto hoje, durante audiência da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. Em sua fala, Amorim justificou que quando os EUA anunciaram publicamente o nome de Daniel Perez, o país violou a diplomacia estabelecida na Convenção de Viena e que antes do nome de Perez ir para o Senado americano, deveria ter sido aceito pelo Brasil.
Filho de cubanos, Perez tem 39 anos e nasceu em Nova York. A família se mudou para Westchester, no condado de Miami-Dade, na Flórida, quando ele tinha seis anos. Casado e pai de três filhos, formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Loyola University New Orleans e atuou como consultor jurídico.
Filiado ao Partido Republicano, Perez foi eleito para a Câmara dos Representantes da Flórida em 2017. À época, a campanha foi, segundo ele, baseada em "responsabilidade, impostos mais baixos, menos intervenção governamental e proteção de nossas comunidades".
Nas redes sociais, demonstra apoio a Trump e ao movimento MAGA ("Faça a América Grande Novamente", na tradução livre). Em janeiro, Perez compartilhou no X um vídeo em que o secretário de Estados dos EUA, Marco Rubio, que também é filho de cubanos, fala sobre os motivos que levam o país a desejar uma mudança de regime em Cuba.
Perez também apoiou a operação americana que resultou na captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. "Hoje, o presidente Donald Trump tomou medidas decisivas para trazer paz e segurança ao nosso hemisfério e desferir um golpe significativo contra os cartéis de drogas que lucram com a morte e a destruição de vidas americanas", disse.
Apesar da aprovação nos EUA, o americano não pode atuar até que o governo Lula dê o aval. O Planalto afirmou que o processo de concessão de agrément é confidencial e argumentou que o nome designado só deveria ser divulgado depois de concedida a anuência, conforme a Convenção de Viena, mas que o governo Trump o fez publicamente antes de apresentar pedido formal ao Brasil.
Postura do Brasil levou o governo Trump a cancelar o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
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