Guerra alucinada às pessoas trans é o que mais elege no Brasil
Alguns dos deputados mais votados para o novo parlamento chegaram lá com uma agenda única: transformar a vida das pessoas trans num inferno. Milhões e milhões de votos foram a eles confiados para que executem seus planos. Nada para o âmbito social ou econômico. Sequer uma agenda fofa a respeito de salvar cachorros de rua como sempre vimos por aí. Apenas uma lista do que farão contra pessoas trans uma vez no Congresso. O que explica essa paranoia delirante?
O Brasil tem entre 1% e 1,5% de pessoas trans. Como uma população tão pequena pode provocar tantos sentimentos em membros da extrema-direita? Qual o medo? Sabemos que a batalha não é exatamente contra homens trans necessariamente, ainda que vá sobrar para eles. O que incomoda mesmo são as mulheres trans.
As ideologias de extrema-direita - ou, para chamar por seu outro nome, as ideologias fascistas - sempre foram masculinistas no sentido de pregar o domínio do homem sobre a mulher aberta e declaradamente. Nem todo fascismo é igual, mas eles têm algumas características que podem ser lidas como comuns. A pulsão é de morte, o ódio à esquerda e a misoginia. Todos os fascismos, claro, escolhem aquele "outro" que precisa ser eliminado em determinado período histórico. Já foram os judeus, os negros e os comunistas. O fascismo atual se articula, de Norte a Sul, contra múltiplos outros: imigrantes e pessoas trans entre eles.
Existem muitos caminhos para que entendamos por que e quando, historicamente, apoiar o fascismo passa a ser uma alternativa razoável para parte considerável da população. Temos estudos, pesquisas, filmes, livros, poemas. Para entender, basta querer. A questão que se impõe agora é saber como vamos, enquanto sociedade, evitar cair nessa outra vez elegendo, como se fosse a coisa mais natural do mundo, novos grupos inimigos para serem confinados, diminuídos, expostos e, finalmente, exterminados.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Esporte.