Casal condenado por tortura em clínica no interior de SP se mudou legalmente para Portugal após Justiça negar prisão pedida pelo MP
Entenda porque casal condenado por tortura em clínica se mudou legalmente para Portugal O casal condenado por tortura contra internos de uma clínica de reabilitação em Ribeirão Preto (SP) se mudou legalmente para Portugal no início do processo, depois que a Justiça negou um pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público em 2014.
A condenação só se tornou definitiva 12 anos depois, em junho de 2026, e os dois foram presos no mês seguinte.
Marluci Cabrera Bellini Henares, de 49 anos, e Djalma Antônio Henares Júnior, de 56, foram condenados a 17 anos e seis meses de prisão.
Eles respondiam ao processo em liberdade porque, segundo o promotor de Justiça Haroldo Costa Filho, não havia mandado de prisão quando deixaram o Brasil.
“Não estavam foragidos, foi bem no início do processo.
O Ministério Público até tentou evitar isso, mas eles foram mais rápidos, acabaram viajando.
O Ministério Público chegou a pedir a decretação da prisão preventiva, não foi decretada”, disse.
As defesas de Marluci e Djalma foram procuradas e informaram que não vão se manifestar sobre as prisões e a condenação. 📱 Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Djalma Antonio Henanes Junior, preso em Portugal após ser condenado por tortura em clínica de reabilitação no Brasil.
Reprodução/EPTV Por que o processo levou 12 anos? O intervalo entre o início das investigações e as prisões inclui a apuração, a produção de provas em primeira instância, a oitiva de vítimas e os recursos apresentados pelos réus até o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.
A investigação começou em agosto de 2014, depois que dois ex-internos e as mães deles procuraram a Promotoria para relatar agressões e torturas na clínica, que funcionava no bairro Recreio das Acácias.
No dia 5 daquele mês, o Ministério Público e a Polícia Civil cumpriram mandados de busca e apreensão no local.
Dez pacientes foram retirados da clínica, e os agentes apreenderam pedaços de madeira, cordas e faixas.
Ao longo do processo, segundo Costa Filho, 24 ex-internos foram ouvidos e relataram agressões físicas, uso de pedaços de madeira, castigos, ingestão forçada de medicamento controlado e violência sexual.
Em janeiro de 2020, cinco anos e meio depois da operação, o processo ainda estava em fase de produção de provas em primeira instância, conforme despacho publicado no Diário da Justiça.
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