Hungria: no Festival Sziget, artistas da cena queer celebram a primeira edição pós-Orbán
Termina neste sábado (15), na Hungria, o Festival Sziget, um dos maiores festivais de música ao ar livre da Europa. Durante cinco dias, esta edição do evento celebrou mais uma vez talentos de todo o mundo. Mas neste ano, a programação teve um caráter particularmente engajado, já que esta foi a primeira edição do festival após a saída do ultraconservador Viktor Orbán do poder.
Localizado no coração de Budapeste, o Festival Sziget já recebeu, desde que foi criado em 1993, artistas emblemáticos como Arctic Monkeys, Billie Eilish, David Bowie e Prince. O evento também é conhecido por suas instalações artísticas de grande porte, espetáculos de circo e teatro, além de performances que animam dia e noite a chamada "Ilha da Liberdade", onde acontecem as atrações.
Neste ano, artistas como Florence + The Machine, Lewis Capaldi e sombr fizeram parte da programação. Em sua edição de 2025, o festival havia recebido Charli XCX, Shawn Mendes, Justice e Zaho de Sagazan , assim como a brasileira Flavia Coelho.
Uma das particularidades deste evento cultural é apresentar um palco dedicado a artistas e performers queer. No entanto, essa comunidade teve seus direitos violados pelo governo do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán , o que dá a esta edição um certo sabor de revanche.
O principal símbolo desse momento é o Magic Mirror, espaço que, ao longo dos anos, se tornou o coração pulsante da comunidade queer e de seus aliados. Na programação, há shows, apresentações de drag queens e cabarés com artistas LGBT+.
"A palavra 'gênero' havia até mesmo se tornado tabu", conta György Ujvari Pintér, diretor da programação do Magic Mirror. "Por exemplo, não podíamos imprimir a palavra 'gender' em nossos programas. Não era proibido, mas precisávamos praticar a autocensura. Podemos sentir uma espécie de vento de liberdade no ar", relata.
No palco, Koni, com tutu rosa e longos cabelos castanhos, se lança em uma performance de voguing , dança surgida nas comunidades negra e queer dos Estados Unidos. Para ela, o fim do regime Orbán é um alívio: "Nós nos sentimos mais livres, mais corajosos!"
Mas para Lilla, uma exuberante mulher trans, o novo governo ainda precisa provar seu valor: "A Constituição não reconhece as pessoas trans. E o novo governo não disse nada sobre isso. Então, precisamos continuar lutando."
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