O crédito que vem do digital
Uma nova prateleira financeira começa a ganhar forma no mercado brasileiro de fundos: o chamado crédito digital .
A proposta não é comprar diretamente bitcoin ou ethereum — como nos fundos tradicionais de criptoativos —, mas investir em títulos emitidos por companhias estrangeiras que mantêm esses ativos digitais em tesouraria e usam esse patrimônio como base econômica para captar recursos.
Esse patrimônio é conhecido como “ prestine colateral ”, algo como “garantia imaculada”.
A origem do modelo está nos Estados Unidos e remonta à transformação da antiga MicroStrategy (hoje, Strategy) por Michael Saylor.
Durante a pandemia, em um ambiente de juros próximos de zero, a empresa de software decidiu destinar parte de seu caixa à compra de bitcoin.
A partir daí, passou a captar recursos por meio de diferentes instrumentos — entre eles, o lançamento de ações preferenciais — para ampliar sua reserva de criptoativos.
Na prática, o investidor que confiou nessa estrutura comprou um papel com promessa de pagamento de dividendos, enquanto a companhia usava o dinheiro para sustentar sua estratégia de tesouraria digital.
Estamos falando aqui de ações preferenciais perpétuas, isto é, papéis sem prazo previamente fixado para vencimento ou resgate.
A tese hoje por trás desses fundos é reunir papéis de diferentes empresas estrangeiras que mantêm criptomoedas em tesouraria, diluindo a concentração em um único emissor e em um único ativo digital, como bitcoin ou ethereum .
“É um produto de nicho, ainda em fase embrionária, mas que chega ao País com o apelo de oferecer rendimento recorrente com exposição indireta ao universo cripto”, explica Axel Blikstad, sócio fundador da B2V Crypto, gestora de recursos especializados em criptoativos.
Há uma semana, a empresa lançou um fundo chamado B2V Preferencial, cuja estratégia foca sobretudo ações preferenciais perpétuas da Strategy.
A expectativa agora é de que outras gestores entrem nesse mercado.
Continua após a publicidade Vale ressaltar a novidade em si: a expressão “perpétua”.
Ela não significa que o investimento seja irremovível: as cotas do fundo têm regras próprias de resgate (D+1, no caso do fundo B2V Preferencial) e as ações são negociadas com alta liquidez no mercado secundário.
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