Fenômeno climático El Niño pode levar ao deslocamento de 3 milhões de pessoas na África Oriental
De acordo com um estudo publicado esta semana pelo Conselho Dinamarquês para Refugiados (DRC), o El Niño, que está chegando gradualmente ao Chifre da África, agravará significativamente as inundações durante a próxima estação chuvosa. Segundo os modelos da ONG, que se concentraram em quatro países da África Oriental (Quênia, Uganda, Somália e Sudão do Sul), espera-se que esse fenômeno climático afete até 10 milhões de pessoas, levando ao deslocamento forçado de uma grande parte deste grupo.
Em entrevista à RFI , Pauline Wesolek, assessora de comunicação do DRC na região da África Oriental e Grandes Lagos, alerta que a principal conclusão das previsões é que, no cenário mais grave, pode haver 3 milhões de pessoas deslocadas na Somália, no Quênia, Sudão do Sul ou Uganda, em consequência do El Niño.
“E não apenas os números são impressionantes, mas o que é mais preocupante é que as populações com maior probabilidade de serem afetadas na região são também as mais vulneráveis. Estou falando de refugiados e pessoas que já foram deslocadas dentro de seus próprios países, seja por conflitos ou por outros impactos climáticos que precederam o El Niño”, diz Wesolek.
Ela sublinha que este grupo de pessoas afetadas muitas vezes reside nas áreas com maior risco de inundações e secas, principais consequências diretas, e que os impactos do fenômeno não serão os mesmos em toda a região.
“Atualmente, os efeitos do El Niño já estão sendo sentidos , principalmente na forma de secas. E o que esperamos de outubro até o final do ano – e talvez até 2027, no caso da Somália – são inundações muito significativas. Na África Oriental, as inundações são impressionantes e seu impacto sobre as pessoas afetadas é realmente muito forte”, acrescenta.
Além disso, nem sempre essas pessoas conseguem os meios mais adequados para se realocar e buscar segurança com antecedência. Sem suas fontes de renda e isoladas, acabam sem acesso a informações sobre inundações iminentes. Por isso, é necessário que ações sejam tomadas o mais rápido possível e que a comunicação com as pessoas deslocadas seja garantida, lembra a assessora do DRC.
“É absolutamente essencial que ajamos o mais rápido possível, antes que um choque climático se transforme em uma emergência humanitária (...) Temos sistemas de alerta precoce. Em 2023, uma empresa de telecomunicações na Somália implementou um sistema de mensagens de texto enviadas para celulares. Mas também há a presença de atores humanitários e agentes de ligação com a comunidade que trabalham na prevenção”, esclarece.
A campanha de conscientização do Conselho Dinamarquês para Refugiados já começou de forma preventiva nos campos para pessoas deslocadas, com transmissões de rádio. Equipes também percorrem estes locais, passando informações necessárias por meio de alto-falantes, além de fazerem reuniões comunitárias.
“Dizemos a elas o que vai acontecer e como reagir”, comenta Pauline Wesolek. “Mas há uma diferença entre dizer às pessoas o que fazer e ter os meios para fazer.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.rfi.fr — o conteúdo pertence a RFI Brasil.