EUA afundam barco no Pacífico enquanto ONG cobra resposta por mortes no mar
Os Estados Unidos, em ação conjunta com o governo do Equador, interceptaram e afundaram ontem (2) uma embarcação que, segundo o Comando Sul dos EUA, era usada pelo grupo criminoso Los Choneros como ponto flutuante de abastecimento para o tráfico de drogas em águas internacionais do Oceano Pacífico.
Militares abordaram, revistaram e desocuparam a embarcação sem incidentes. Os ocupantes foram retirados do barco e transferidos às autoridades equatorianas, informou o comando norte-americano. Depois de assegurar a área, forças dos EUA afundaram o navio.
O Comando Sul afirma que a embarcação dava apoio a operações de tráfico de drogas em alto-mar. Para os militares dos EUA, a ação interrompeu um ponto da cadeia logística usada pelos traficantes.
Esta foi a segunda embarcação afundada por forças de Trump em menos de uma semana. Na sexta-feira anterior, os EUA destruíram outro barco que, conforme o comando, também abastecia lanchas associadas aos Los Choneros.
Los Choneros é o grupo criminoso mais antigo do Equador e mantém vínculos com o Cartel de Sinaloa, do México. O governo norte-americano classificou a organização como terrorista, assim como os grupos equatorianos Los Lobos e Chone Killers.
EUA e Equador também realizaram operações militares contra organizações criminosas em territórios equatorianos na fronteira com a Colômbia. Em 27 de agosto, chefes militares dos três países se reuniram para discutir estratégias contra quadrilhas e redes de tráfico que atuam nessas áreas.
A operação ocorre um ano após o início da campanha de Donald Trump contra embarcações suspeitas de tráfico no Caribe e no Pacífico. A ofensiva deixou mais de 220 mortos, segundo a reportagem.
A Human Rights Watch cobra que o governo dos EUA preste contas pelas mortes de ao menos 227 pessoas em ataques a lanchas no Caribe e no oceano Pacífico no último ano. A Human Rights Watch é uma organização internacional não governamental que defende e realiza pesquisas sobre os direitos humanos.
A organização classifica as mortes como "execuções extrajudiciais" e pede uma investigação urgente. Ida Sawyer, diretora de Crises, Conflitos e Armas da Human Rights Watch, afirma que o governo de Donald Trump matou mais de 200 pessoas "em condições de execução sumária".
A entidade sustenta que matar pessoas no mar sem julgamento viola o direito internacional, mesmo diante de suspeitas de envolvimento com crimes. Os ataques tiveram como alvo embarcações supostamente carregadas de drogas.
A ONG sugere que o Congresso dos EUA crie um comitê especial para investigar os ataques letais. O grupo deveria esclarecer quem autorizou e executou as operações, segundo a organização.
A entidade também pede que o Departamento de Justiça investigue as mortes e adote medidas criminais quando cabíveis. Caso as autoridades atuais não façam isso, a organização diz que a apuração deve ser prioridade para futuras administrações.
Governos que colaboram com os EUA na interceptação de drogas devem condenar as mortes, afirma a organização.
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