Apneia do sono, bruxismo e suas consequências para a memória
O sr.
José, 68 anos, chegou ao consultório não por causa dos dentes, mas porque a esposa insistia: "Ele ronca muito, acorda cansado e anda esquecendo as coisas." Durante o dia, o sr.
José vivia sonolento, irritadiço e com a memória cada vez mais falha.
O que ele não imaginava é que a resposta para esses sintomas poderia estar na relação entre a boca, a respiração e o cérebro.
O sono não é um luxo — é uma necessidade biológica essencial para a saúde do cérebro.
É durante o sono profundo que o cérebro consolida memórias, elimina toxinas e restaura as conexões neurais.
Quando esse processo é interrompido, o prejuízo cognitivo é inevitável.
O que a boca tem a ver com isso? A resposta está em dois problemas odontológicos que afetam diretamente a qualidade do sono: Apneia obstrutiva do sono: Durante o sono, a musculatura da garganta relaxa e pode obstruir a passagem do ar.
O paciente para de respirar por alguns segundos, o cérebro "acorda" para retomar a respiração — e esse ciclo se repete centenas de vezes por noite, sem que a pessoa perceba.
O resultado é um sono fragmentado, sem as fases profundas necessárias para a consolidação da memória.
A apneia não tratada está associada a um risco aumentado de declínio cognitivo, hipertensão, problemas cardíacos e até Alzheimer.
Bruxismo: O ranger ou apertar dos dentes durante o sono é um sinal de que o sistema nervoso está em estado de alerta excessivo.
O bruxismo não apenas desgasta os dentes e sobrecarrega a articulação da mandíbula — ele também é um marcador de estresse e de sono não reparador.
A conexão com a memória Quando o sono é ruim, o hipocampo — a região do cérebro responsável por transformar memórias de curto prazo em memórias de longo prazo — não consegue funcionar adequadamente.
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