Erro médico faz mulher grávida passar por curetagem
Falha em diagnóstico levou hospital de Sumaré a realizar procedimento de esvaziamento uterino em gestação que seguia viável
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Uma paciente do Hospital Estadual de Sumaré, no interior de São Paulo, soube que estava grávida após ser submetida a uma curetagem para tratar o que havia sido diagnosticado como aborto espontâneo.
O engano só foi percebido um mês depois, quando exames de sangue e urina confirmaram a gestação em curso. A unidade, administrada pela Unicamp, abriu sindicância para investigar o caso.
De acordo com o relato da mulher, que não teve o nome divulgado, o episódio começou em 12 de julho, quando ela procurou atendimento após apresentar sangramento, estando com 12 semanas de gestação.
Na ocasião, a médica plantonista teria identificado o aborto por meio de exame de toque, sem solicitar ultrassonografia — o equipamento, segundo a paciente, estaria indisponível por se tratar de um domingo.
Com base nesse diagnóstico, a profissional indicou a curetagem de imediato . Após o procedimento, a paciente recebeu alta hospitalar e um afastamento médico de 14 dias, período em que, segundo ela, elaborou o luto pela perda que acreditava ter sofrido.
Passado o período de repouso , a mulher retornou às atividades profissionais, mas notou que o volume abdominal não regredia . Ela também relatou náuseas, dores lombares e aumento do volume das mamas — sinais que, a princípio, atribuiu a efeitos psicológicos decorrentes da perda gestacional.
Um mês após o procedimento, buscou outro médico para solicitar anticoncepcional. O profissional exigiu teste de gravidez antes da prescrição, e o resultado foi positivo — confirmado posteriormente por exame de sangue.
Uma amiga da paciente, ligada à área da saúde, levantou a hipótese de gestação molar, uma espécie de tumor benigno que se forma no útero, e recomendou retorno urgente ao hospital.
Em 14 de agosto, a paciente voltou à unidade com os resultados em mãos . A equipe médica cogitou duas possibilidades — gestação molar ou nova gravidez — e a encaminhou para ultrassonografia.
O exame revelou batimentos cardíacos fetais . Ao ser informada de que o aborto inicial fora atribuído a uma gestação de 12 semanas, a médica concluiu tratar-se do mesmo feto, então com 16 semanas.
Segundo o relato da paciente à Folha , um médico afirmou que a bolsa amniótica provavelmente havia sido perfurada durante a curetagem . Em razão disso, não havia líquido amniótico suficiente na bolsa gestacional — substância essencial para a formação dos pulmões e dos ossos do feto —, o que eleva o risco de hipoplasia pulmonar e de óbito do bebê após o nascimento.
Diante do quadro, a equipe médica apresentou à paciente a opção de manter ou interromper a gestação , com prazo curto para a decisão. Em 17 de agosto, ela optou por prosseguir com a gravidez , que passou a ser classificada como de alto risco tanto para o feto quanto para a mãe, com possibilidade de quadro de sepse.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.