A Hora H
A julgar pelo debate de anteontem, na Band, entre os candidatos à presidência da República, o Brasil será governado, nos próximos quatro anos, por um presidente que não acredita no seu próprio plano de governo, apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como condição de registro da candidatura.
Isso é especialmente complexo para investidores, gestores de recursos, empresários e financiadores, dada a dificuldade na tomada de posições racionais sobre as perspectivas para a economia brasileira nos próximos quatro anos.
Mas é pior porque comprova a falta de compromisso dos candidatos com suas propostas.
É verdade que Flávio Bolsonaro insistiu em seu projeto de segurança pública: classificar facções criminosas e milícias como organizações narcoterroristas; reduzir para 16 anos a maioridade penal e punir maiores de 14 anos por crimes hediondos; criar 500 mil vagas nas prisões e instalar 1 milhão de câmeras de reconhecimento facial – para não falar da castração química por crimes sexuais.
Mas na economia, a proposta original de transformar a Caixa Econômica Federal em Banco da Prosperidade foi substituída pela ainda mais enigmática criação de um Ministério da Prosperidade – seja lá o que isso for.
Pior: a ideia do plano de governo, de reduzir a dívida pública para diminuir os juros, e proibir o uso de recursos de programas sociais em apostas, virou a compra, pelo governo, dos créditos contra a população.
Ainda segundo Flávio Bolsonaro, uma vez adquiridos dos bancos, os créditos seriam suspensos e, mais tarde, refinanciados em condições favorecidas.
Fiquei pensando em quem cobrará a conta dos devedores inadimplentes desse novo programa de crédito subsidiado, de um país que já agora enfrenta um déficit insustentável.
Seria o tal Ministério da Prosperidade, ou se pretende criar o Ministério da Magia? A pirueta de Flávio Bolsonaro foi uma resposta à proposta igualmente demagógica de Lula, de perdão de dívidas e ampliação do teto de faturamento dos microempreendedores individuais (MEI).
Proposta que, evidentemente, também não estava no plano de governo apresentado por Lula ao TSE.
A diferença é que Lula já tem a caneta e, portanto, os custos da medida já são realidade.
Aquela não foi a única medida de Lula que, não constando de seu plano de governo, foi anunciada na reta final da campanha, com impacto nas contas públicas.
Além de perdoar os MEIs, o presidente, ainda antes do primeiro turno, mandou atualizar os valores do Bolsa Família e proibiu a exploração de apostas pelas chamadas bets.
Isso é alarmante.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.