Atraso do balanço do BRB é técnico e ligado a empréstimo, diz governadora
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, disse que o BRB (Banco de Brasília) ainda não divulgou o balanço porque a publicação depende da contratação de um empréstimo para socorrer o banco. A instituição financeira pública de Brasília tem um rombo patrimonial bilionário provocado por transações irregulares realizadas com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central. As demonstrações financeiras estão pendentes desde 2025.
Celina Leão disse que o BRB adiou a divulgação do balanço por uma decisão técnica e financeira. Ela afirmou que a publicação não está ligada ao calendário eleitoral e que o empréstimo para socorrer a instituição "pode sair a qualquer momento".
Governadora do DF afirmou que o BRB é autônomo e que ela não decide sobre a divulgação do documento. "O banco tem decisões autônomas em cima de características técnicas", disse, ao argumentar que o balanço deve ficar "melhor, mais saudável" após o acordo do empréstimo.
Em sabatina, Celina Leão afirmou que a dificuldade do BRB para captar recursos no mercado tem relação com o cenário político. "Passando a eleição, eu garanto para vocês aqui, numa conversa muito franca, muito aberta, passando a eleição, o BRB não terá mais problemas", afirmou a candidata à reeleição pelo PP.
Governadora disse que, se o empréstimo não sair, o governo do Distrito Federal tem alternativas, mas evita detalhá-las. Ela afirmou que há planos B, mas que o mercado não discute esse tipo de opção antes de executar o plano ?A?.
Celina Leão defendeu que a operação de crédito tem garantias sólidas e pode trazer retorno aos bancos que emprestarem. "Eles não vão me emprestar de graça. É uma operação sólida", disse, ao citar Fundo de Participação dos Estados (FPE) e Fundo de Participação dos Municípios (FPM) como garantias e afirmar que a inadimplência seria zero.
Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil poderiam participar de um socorro ao BRB. A governadora afirmou que, se houvesse vontade política, os dois bancos públicos poderiam compor um sindicato de bancos e que o impacto seria de R$ 80 milhões por ano nos balanços das instituições.
Distrito Federal pediu ao STF acesso a quebras de sigilo do Banco Master e do Fundo Reag Investimentos para buscar ressarcimento. O objetivo, segundo a petição, é identificar recursos "subtraídos" do BRB na tentativa de compra do Master e pedir restituição.
Governo do Distrito Federal também tenta obter no Supremo um aval da União para um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O governo de Celina Leão chegou a fechar um acordo com a União que previa garantias de grandes bancos, mas a operação não avançou.
Polícia Federal apontou que fraudes entre Banco Master e BRB somaram cerca de R$ 17 bilhões. A PF afirma que as operações foram estruturadas com produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e uso de empresa de fachada, com atuação dolosa da alta administração do BRB.
Banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa estão presos.
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