Número de candidaturas com nomes religiosos cai e é o menor desde 2010
O número de candidatos que usam referências religiosas nos nomes de urna caiu 40% neste ano em comparação com as eleições de 2022. O levantamento foi feito pelo UOL a partir dos dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) das candidaturas registradas.
O número saiu de 524, em 2022, para 311 neste pleito . Para o levantamento, foram levados em consideração os candidatos que usaram no nome de urna "bispo", "pastor", "missionário" ou variações dessas palavras. O TSE encerrou ontem, às 19h, o prazo para que os partidos registrassem as candidaturas. Os dados ainda podem sofrer alterações devido ao processamento na Justiça Eleitoral.
A eleição deste ano pausa o crescimento de cargos evangélicos nos nomes das candidaturas . Desde 2010, este fenômeno vem aumentando —em 2018 e 2022, o movimento atingiu seu ápice, mas, para especialistas consultados pelo UOL , as lideranças de igrejas ligadas a partidos avaliaram que a estratégia não deu certo.
Os partidos com mais candidaturas com nomes evangélicos são Democracia Cristã, MDB e PL . Cada uma das três legendas têm 26 registros de políticos que usam cargos religiosos no nome. O Republicanos, sigla ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, aparece na sequência, com 25. O PT, do presidente Lula, marcou 7.
Redução do uso dos termos não significa menor presença religiosa na política, diz socióloga . Para Ana Carolina Marsicano, que também é pesquisadora do Laboratório de Estudos de Religião e Política, a diminuição dos cargos religiosos pode apontar para uma mudança na estratégia eleitoral. "As últimas eleições mostraram que o uso desses títulos não necessariamente trouxe vantagem eleitoral em relação a candidatos religiosos que não destacavam essa identidade", afirma.
Marsicano conta que conduz uma pesquisa que indica esse movimento. "Identificamos um crescimento entre parlamentares que preferem se apresentar simplesmente como 'cristãos', uma categoria mais ampla e menos vinculada a denominações específicas", explica a socióloga.
A avaliação é que há também uma "adequação" da estratégia eleitoral desse grupo político. O pesquisador e doutor em ciência política Vinícius do Valle compartilha da mesma análise de Marsicano e destaca que diferentes pesquisas têm mostrado que há um "cansaço [por parte dos eleitores] com o uso da religião para fins políticos". "Só usar o título ou o prenome de pastor, missionário, não parecia estar agregando votos para essas candidaturas, porque quem não sabe que a pessoa é um pastor não votaria só por isso", avalia.
A queda no uso de títulos religiosos pode indicar uma reconfiguração da identidade religiosa na disputa eleitoral. Em vez de abandonar essa identidade, candidatos parecem optar por uma apresentação mais genérica, capaz de dialogar com diferentes segmentos cristãos e ampliar seu potencial eleitoral. Ana Carolina Marsicano, socióloga e pesquisadora
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