De vantagem esportiva a corpo feminino: entenda o debate sobre veto a atletas trans no vôlei brasileiro
Por Gabriel Assis e Victor Figueiredo Uma semana após a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciar a adoção da política do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a realização do teste do gene SRY , a Gazeta Esportiva ouviu especialistas para entender os impactos da medida sobre a participação de atletas trans no esporte .
A nova regra deve afetar diretamente a ponteira e oposta Tiffany Abreu , do Osasco, única jogadora trans em atividade na elite do vôlei brasileiro.
Em março de 2026, o COI anunciou uma nova política para determinar a elegibilidade de atletas na categoria feminina.
O critério adotado prevê a realização de um teste para identificar a presença ou ausência do gene SRY (Sex-determining Region Y), associado ao desenvolvimento sexual masculino.
O anúncio foi feito pela presidente da entidade, Kirsty Coventry , que também recomendou a adoção da medida por federações internacionais, comitês olímpicos nacionais e demais órgãos responsáveis pela regulamentação esportiva.
Cinco meses depois, a CBV informou que passará a seguir a política da entidade olímpica em suas competições nacionais.
“A CBV passa a seguir os critérios e fundamentos da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI, publicada em março deste ano, que limita a elegibilidade nessa categoria exclusivamente às atletas do sexo biológico feminino.
Essa verificação é feita por testagem e triagem do gene SRY”, diz trecho da nota da confederação.
A decisão colocou em dúvida a permanência de Tiffany Abreu nas principais competições do voleibol brasileiro.
Pioneira entre as atletas trans na modalidade, a jogadora atua no vôlei feminino desde 2017 e atualmente defende o Osasco.
Veja também: Todas as notícias da Gazeta Esportiva Canal da Gazeta Esportiva no YouTube Siga a Gazeta Esportiva no Instagram Participe do canal da Gazeta Esportiva no WhatsApp “É um enorme retrocesso” Tiffany se pronunciou pela primeira vez após o anúncio da CBV no último sábado, depois da derrota do Osasco para o Pinheiros por 3 sets a 2, pela primeira rodada do Campeonato Paulista.
Como a competição é organizada pela Federação Paulista de Voleibol (FPV), a atleta segue liberada para atuar no torneio.
Em entrevista após a partida, a jogadora de 41 anos classificou a nova política como um retrocesso.
“O voleibol é minha vida, meu trabalho.
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