BC deve fazer novo corte na taxa de juros, diz economista após IPCA-15
O IPCA-15, conhecido como a prévia da inflação, registrou deflação de 0,40% em agosto, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (26).
O resultado veio 0,1 ponto percentual abaixo da mediana das projeções do mercado, surpreendendo analistas.
Para Julio Cesar Barros, economista do Banco Daycoval, o número não é suficiente para alterar o cenário geral da política monetária.
Segundo ele, os principais fatores que puxaram a inflação para baixo neste mês são de natureza volátil e temporária.
Leia Mais Proposta do mínimo de 2027 pode elevar despesas do governo em R$ 49,6 bi AngloGold retoma planta de ouro em MG após investir R$ 105 milhões Bitcoin sobe com sinais de Trump e expectativa por regras mais claras Itaipu e passagens aéreas puxam deflação O principal driver da deflação de agosto foi o bônus de Itaipu, que gerou um desconto temporário nas contas de energia elétrica.
“Como já era esperado, os itens que puxam a inflação para baixo esse mês são itens voláteis e alguns temporários”, afirmou Barros.
Ele destacou ainda que as passagens aéreas também contribuíram para a surpresa, registrando queda de 13%, ante uma projeção de recuo de 0,6%.
A alimentação no domicílio também apresentou deflação , embora um pouco mais intensa do que o esperado.
“A gente tinha uma expectativa em torno de 0,6%, 0,7%, então veio um pouco maior, mas perdendo força em relação à leitura anterior”, explicou o economista.
Para os próximos meses, ele alertou que esses efeitos deflacionários sazonais tendem a se dissipar.
Núcleo de serviços preocupa Apesar da deflação no índice geral , o núcleo de serviços — componente considerado mais persistente e sensível à política monetária — veio acima do esperado.
A projeção era de 0,3%, mas o resultado foi de 0,5%.
“Essa leitura mantém o alerta na parte da inflação dos serviços e do seu núcleo”, disse Barros.
O economista ressaltou que o Banco Central acompanha com atenção especial o grupo denominado “serviços intensivos em trabalho”, associado ao mercado de trabalho, que representa a tensão mais significativa no quadro inflacionário atual.
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