Por que jovens trabalhadores terão de poupar mais cedo para a aposentadoria
O avanço acelerado da transição demográfica no Brasil, a redução na taxa de natalidade e o aumento da expectativa de vida da população.
Esses três aspectos apontam diretamente para um esgotamento perigoso do modelo tradicional de previdência social atual, de acordo com especialistas reunidos no XII Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada realizado pela Fenaprevi (Federação Nacional de Vida e Previdência) na quarta-feira (16).
Os especialistas falaram sobre a sustentabilidade do regime de repartição simples do INSS, que é o sistema em que a população ativa contribui diretamente para custear os benefícios de quem já parou de trabalhar.
Segundo eles, essa sustentabilidade foi comprometida pelas transformações populacionais e pelas mudanças no mercado de trabalho.
No debate, os palestrantes indicaram que a garantia de estabilidade financeira na velhice não virá de novas reformas pontuais do sistema público, mas sim da migração para um modelo centrado na previdência privada e na formação de capital individual acumulado desde os primeiros anos da trajetória profissional.
Leia mais: Apenas 28% dos brasileiros acreditam vão se aposentar até os 60 anos, diz Fenaprevi O colapso da repartição simples e as limitações das reformas estatais A estrutura mantida pela Previdência Social desde a segunda metade do século passado operava sobre uma base demográfica que já não existe mais no país, segundo o economista Eduardo Giannetti.
Já Dyogo Oliveira, diretor-presidente da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), pontuou que em 1980 o Brasil contava com quatro contribuintes ativos para sustentar o benefício de cada idoso aposentado.
Atualmente, essa relação caiu para apenas 1,8 trabalhador por beneficiário, com projeções indicando que o indicador alcançará a proporção crítica de 1,5 já no ano de 2032.
Ao mesmo tempo, Oliveira destacou que a expectativa de vida aos 60 anos saltou de mais 16 anos para mais 22 anos de sobrevida, elevando o custo total de manutenção de cada aposentado no sistema público em cerca de 40%.
Nesse cenário de desequilíbrio, apostar apenas em reformas paliativas na previdência pública é insuficiente para resolver o problema estrutural do Estado, ressaltou o superintendente-geral da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar), Devanir Silva.
“Acho que não precisamos de uma reforma nos moldes tradicionais.
Precisamos mudar nosso discurso: o Brasil não precisa de uma reforma, precisa de uma nova previdência”, afirmou o executivo.
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