PT da Bahia gera constrangimentos para Lula na sabatina do JN
Na entrevista do presidente Lula, nesta quinta-feira (27), no Jornal Nacional, ficou evidente que o estado da Bahia, que sempre ofereceu às campanhas petistas votações expressivas, pode causar constrangimentos nacionais à tentativa de reeleição do presidente. A política do estado, quarto maior colégio eleitoral do Brasil, foi citada negativamente duas vezes durante a sabatina.
A primeira foi a relação com o caso Master e o ex-governador Jaques Wagner, amigo do presidente, companheiro de fundação do PT e responsável por dar início a uma sequência de gestões do partido no governo do estado, que já dura duas décadas. Essa hegemonia poderá chegar ao sexto mandato consecutivo, caso o atual governador e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues, consiga vencer a alta taxa de rejeição, estimada em 40% pela última pesquisa Quaest, divulgada em 27 de agosto.
O senador Jaques Wagner, que também tenta a reeleição, foi afastado da liderança do governo no Senado, em junho, quando foram iniciadas as investigações sobre as relações do político com o ex-sócio de Daniel Vorcaro, o banqueiro Augusto Lima, que teria presenteado Wagner em troca de benefícios políticos.
Alvo de questionamento na sabatina do JN, o presidente defendeu o companheiro, dizendo ter consciência de que Jaques Wagner é honesto e que as pessoas são inocentes até que prove o contrário. "Até agora não está provado que o Wagner tenha relações com o Banco Master", disse Lula.
Como já tratamos aqui na coluna, na Bahia, petistas e bolsonaristas estão na origem do crescimento empresarial do banco Master, com a privatização do Credcesta. Relembre aqui .
Outra questão espinhosa para a candidatura petista, tratada na entrevista do JN, e que envolve diretamente a gestão do partido na Bahia, é a segurança pública. Nas últimas duas décadas, a violência cresceu de forma alarmante no estado, com a migração da atuação de facções de São Paulo e Rio de Janeiro para cidades nordestinas.
Neste aspecto, a política de segurança pública da Bahia é uma péssima vitrine para a campanha petista. O clima de insegurança é apontado pelas pesquisas como o principal motivo de insatisfação do eleitor baiano.
Além da violência cometida pelas facções e milícias que agem no estado, a Polícia Militar da Bahia é a mais letal do Brasil. A população baiana, na capital e no interior, tem medo das operações policiais nas comunidades pobres, pois quase sempre resultam em assassinatos de trabalhadores, além de jovens e crianças.
A resistência da corporação ao uso das câmeras nos uniformes impede que os casos sejam devidamente esclarecidos, restando apenas a justificativa dos autos de resistência e troca de tiros com bandidos. Versões contestadas pelos moradores dessas áreas. Em outubro de 2025, uma fiscalização do Ministério Público da Bahia apurou que das 1.263 câmeras distribuídas, apenas 7,5% estavam sendo efetivamente utilizadas.
Na entrevista ao JN, Lula foi questionado sobre o aumento do crime organizado no Brasil nos últimos 20 anos, dos quais 17 foram em gestões petistas.
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