Em ato em Salvador, Lula reforça palanque baiano e critica sabatina da Globo
No inverno ensolarado de Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, “caminhou” em cima de um trio elétrico nesta sexta-feira (28) pelo bairro da Liberdade, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT), também candidato à reeleição. A campanha foi acompanhada pelos candidatos ao Senado e ex-governadores da Bahia Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT), além da ministra da Cultura, Margareth Menezes. Foi o primeiro ato de campanha do petista na capital baiana nesta corrida eleitoral.
A escolha do trajeto não foi aleatória. O bairro popular da Liberdade, que está entre os de maior população negra da cidade, é um símbolo da cultura afro-baiana e uma região historicamente identificada com a base eleitoral do PT na capital. “É a primeira vez que um candidato à presidência faz campanha em um bairro e não nos grandes centros”, disse Lula aos jornalistas antes da caminhada. “Além de ser o bairro de Rui Costa”, brincou o presidente ao justificar a escolha pela região.
A caminhada começou por volta das 16h15, no Largo do Guarani, e seguiu até o Plano Inclinado, percorrendo cerca de 1,2 quilômetro em meio a apoiadores, comerciantes e curiosos que se aglomeraram ao longo do percurso com bandeiras, camisas, berimbaus e jingles ao som do pagode baiano, como a música “Lula e a Jerônimo têm o molho”, em referência a um hit do carnaval deste ano.
Na caminhada em Salvador, mulheres eram uma grande parte dos apoiadores. A jovem Tailane, que segurava um bebê no colo e tinha uma criança ao lado, acompanhava o ato. “Sigo Lula desde sempre”, disse. “Lula me dá minha casa”, gritou, sorrindo, referindo-se ao programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida.
A Liberdade também é o bairro natal do candidato ao Senado pelo PT e ex-governador baiano Rui Costa, que acompanhou o grupo lado a lado com Jaques Wagner, ex-ministro e atual senador, também candidato à reeleição e ex-líder do governo no Congresso, além de outros candidatos ao Legislativo estadual e federal e apoiadores do partido.
Se Jerônimo e Rui Costa não saíram do lado de Lula, Jaques Wagner teve uma postura mais discreta, se posicionando nos bastidores e em uma linha atrás do presidente, tanto durante a coletiva de imprensa como em cima do trio elétrico. A postura foi diferente da de Rui Costa, que se manteve ao lado de Lula, junto com Jerônimo.
Jaques Wagner foi governador da Bahia entre 2007 e 2014, período em que encerrou a hegemonia do grupo político liderado por Antônio Carlos Magalhães, o carlismo, no estado. O encontro entre Lula e Wagner ocorreu um dia depois de o presidente ser questionado, em sabatina do Jornal Nacional, sobre apoiar o senador, mesmo ele tendo o nome envolvido em investigação do caso Master.
Em relatório da investigação, a Polícia Federal aponta Wagner como um “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais”. A apuração busca esclarecer se o senador recebeu pagamentos em troca de apoio a medidas no Congresso que teriam beneficiado a instituição financeira.
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