CVM abre inquérito sobre R$ 1,5 bi da Oncoclínicas no Banco Master
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) decidiu, em junho, abrir um inquérito para apurar a responsabilidade dos administradores da Oncoclínicas na aplicação de R$ 1,5 bilhão em papéis do Banco Master .
O inquérito pode terminar em multa ou inabilitação de diretores e conselheiros. Procurada, a companhia disse que não iria se posicionar.
A companhia informou à CVM que a aplicação era temporária, de 90 dias. O dinheiro ficou 18 meses no Banco Master, e, com a liquidação do banco , em 2025, R$ 430,9 milhões nunca voltaram.
O dinheiro caiu em contas da Oncoclínicas no próprio Banco Master. No dia seguinte, foi aplicado no banco na forma de CDBs, títulos de renda fixa.
A decisão de aplicar os R$ 1,5 bilhão foi tomada por email. Uma representante do banco escreveu ao então diretor financeiro, Cristiano Affonso Ferreira de Camargo, propondo "um CDB de 90 dias" com remuneração de 120% do CDI.
"Funciona sim", respondeu Camargo, segundo cópia da troca de mensagens juntada ao processo.
A Oncoclínicas afirma que o vencimento acertado para o primeiro CDB era 23 de agosto de 2024, 90 dias após a aplicação. A nota de negociação do papel, entregue pela companhia à CVM, no entanto, registrava o vencimento em maio de 2026.
Em junho e em julho, antes dessa data, o dinheiro foi reaplicado em CDBs novos. Pela tabela que o banco enviou à companhia, os papéis novos só teriam liquidez 90 dias depois de cada emissão.
Em agosto de 2024, Camargo pediu o resgate de R$ 200 milhões. O Banco Master respondeu que "o recurso ainda não possui liquidez".
"Ok, entendido. Eu tinha contado a data de 23/05 como início do prazo de 90 dias", escreveu o diretor. Ele reprogramou o saque para setembro.
O parecer da CVM registra que a companhia foi informada de que os recursos haviam sido reinvestidos "sem a liquidez originalmente prometida". O documento não indica quem autorizou as reaplicações.
O R$ 1,5 bilhão do aumento de capital foi aplicado em CDBs, mas, segundo o parecer, a CVM não conseguiu localizar a origem dos R$ 500 milhões de Ferrari no negócio. Eles não estavam na mesma conta do R$ 1 bilhão dos fundos.
Ferrari autorizou, junto com Camargo, a decisão de manter o dinheiro aplicado no banco. Ele se declarou impedido apenas na votação que homologou o aumento de capital.
Em maio de 2024, Ferrari fez parte da comitiva de Daniel Vorcaro, dono do Master, para a Brazilian Week, em Nova York.
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