Da Lagoinha ao Madame Satã: quando cai a máscara evangélica
O Brasil se viu diante de uma sequência de revelações envolvendo Daniel Vorcaro, a Igreja Batista da Lagoinha, o pastor André Valadão e uma festa privada realizada no Madame Satã, em São Paulo.
Não porque uma festa, por si só, defina a moralidade de alguém.
Nem porque ser evangélico obrigue qualquer pessoa a viver uma vida de santidade performática (ainda que este seja o discurso predominante).
O problema está na distância entre a fala de determinados líderes religiosos e as relações de poder, dinheiro, influência e intimidade que agora aparecem no entorno desse universo.
O caso ganhou uma dimensão particularmente incômoda quando um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que a conta da Igreja Batista da Lagoinha Belvedere movimentou R$ 57,1 milhões entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, em operações classificadas como atípicas.
Desse total, R$ 19,2 milhões foram transferidos em 26 operações por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e então responsável pela administração da unidade.
Durante anos, uma parcela expressiva dos evangélicos brasileiros construiu sua identidade pública em torno de discursos sobre família, sexualidade, costumes, comportamento e “bons valores”.
Criou-se uma espécie de tribunal moral permanente, no qual alguns pastores se apresentaram como fiscais da vida alheia, e é aqui que surge um problema incontornável: quem fiscaliza os fiscais? O caso Lagoinha é especialmente emblemático porque não estamos falando apenas de um empresário com vínculos familiares com um dirigente de igreja.
Estamos falando de milhões de reais circulando por uma instituição religiosa cuja movimentação financeira, segundo o Coaf, foi considerada atípica.
E há uma ironia difícil de ignorar.
A igreja sempre ensinou que dinheiro revela prioridades.
Pregações sobre dízimos, ofertas, prosperidade, fidelidade financeira e bênçãos materiais fazem parte do cotidiano de milhões de fiéis.
O fiel comum é frequentemente ensinado a prestar contas de cada centavo entregue ao altar.
Pois quem sabe talvez tenha chegado a hora de as grandes instituições religiosas prestarem contas também, não apenas à Receita Federal ou às autoridades de investigação, mas à própria comunidade de fé, porque transparência não é um detalhe administrativo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.