Canetas emagrecedoras: por que mudar hábitos é importante para não recuperar o peso perdido, segundo endócrino
Medicamentos como semaglutida e tirzepatida, substâncias das chamadas canetas emagrecedoras, atuam sobre mecanismos relacionados à fome e à saciedade e podem levar a uma perda significativa de peso.
Mas o efeito dos remédios não elimina a importância de alimentação adequada, atividade física e acompanhamento profissional .
O alerta foi feito pelo endocrinologista Raphael Del Roio, diretor do Centro de Hiperinsulinismo Congênito do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), em reportagem do Jornal da USP .
Segundo o especialista, a redução da fome provocada pelos medicamentos pode facilitar mudanças na quantidade e na frequência das refeições, mas não significa que os hábitos responsáveis pelo equilíbrio do peso tenham sido modificados.
“É uma situação arriscada, porque, para muitos, isso é encarado como um remédio mágico, como uma alternativa mágica para perder peso.
Isso significa que o indivíduo não vai mudar aquilo que precisa mudar, que é aumentar o gasto energético e diminuir a ingestão energética .
Ele só vai usar a caneta e não vai mudar mais nada, o que, no meu entender, vai demandar o uso da caneta para o resto da vida, o que eu não sei se é, primeiro, saudável e, segundo, economicamente praticável ”, afirma.
Como as canetas emagrecedoras funcionam A semaglutida é um agonista do receptor de GLP-1, enquanto a tirzepatida atua sobre os receptores de GLP-1 e GIP.
De maneira geral, essas substâncias interferem nos mecanismos que regulam o apetite .
No caso da semaglutida, por exemplo, um dos efeitos é retardar o esvaziamento do estômago.
Com isso, a pessoa tende a consumir menos alimentos.
A eficácia do medicamento para a perda de peso foi demonstrada em ensaios clínicos .
No estudo publicado no New England Journal of Medicine , 1.961 adultos com sobrepeso ou obesidade receberam semaglutida ou placebo durante 68 semanas, associados a uma intervenção de estilo de vida.
A redução média do peso foi de 14,9% entre os participantes que receberam o medicamento, contra 2,4% no grupo placebo.
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