Câncer do cacique Raoni: por que médicos escolheram cuidados paliativos?
Uma das principais lideranças indígenas no Brasil, o cacique Raoni Metuktire foi diagnosticado com um tipo agressivo de câncer no sistema digestório e está em cuidados paliativos.
A informação foi divulgada pelo Instituto Raoni na terça-feira, 15.
Segundo nota publicada no site da organização, o líder indígena de 94 anos enfrentou um “período delicado de saúde” nos últimos meses, incluindo uma grave obstrução intestinal provocada pelo tumor, que fez com que ele precisasse ser transferido do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, no Mato Grosso, para o Hospital São Paulo, ligado à Unifesp, onde um exame confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pouco diferenciado , câncer considerado de difícil tratamento.
As taxas de sobrevida variam dependendo do órgão onde se originou, do estágio da doença e das características do tumor , além do estado geral do paciente .
“Raoni utiliza marcapasso, apresenta insuficiência cardíaca e hipertensão arterial, além de doença pulmonar obstrutiva crônica e hérnia diafragmática traumática crônica.
Diante desse conjunto de fatores, tratamentos com objetivo curativo, como uma cirurgia de maior porte, quimioterapia ou outras terapias oncológicas, representam riscos elevados de morte e não foram considerados adequados à sua condição “, explica a nota.
A organização acrescenta que, levando em conta esse cenário, a equipe médica considerou os cuidados paliativos como o tratamento mais adequado para o cacique.
A abordagem tem como objetivo aliviar a dor, melhorar a qualidade de vida e preservar a autonomia possível do paciente e de seus familiares.
Continua após a publicidade “No caso de Raoni, essa decisão também considera a importância de permanecer próximo de sua família e de seu povo.
A possibilidade de estar em casa, cercado por parentes, falando sua língua, recebendo a presença de pessoas próximas e mantendo suas referências culturais faz parte do cuidado “, destaca o instituto.
O cacique recebeu alta em condições estáveis no dia 14 de julho e voltou para casa, em Peixoto de Azevedo (MT), no dia seguinte.
Entre os dias 30 de julho e 1º de agosto, porém, sofreu uma hemorragia digestiva grave e precisou ser internado mais uma vez, no Hospital Regional de Peixoto de Azevedo.
Após o atendimento, não foram observadas novas evidências de sangramento ativo por mais de 72 horas, e seu quadro voltou a ser considerado regular e estável.
Ele está recebendo cuidados domiciliares , sendo assistido por quatro técnicos de enfermagem e uma fisioterapeuta.
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