Após Espanha, Itália vira protagonista de nova escalada da crise migratória na Europa
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Ao ver a cena de milhares de imigrantes entrando no território espanhol de Ceuta , no fim de julho, o governo italiano colocou em prática uma severa medida contra a Espanha e suspendeu o tratado Schengen, de livre circulação no continente. Nos últimos dias, foi a vez de a Itália entrar na mira de seus vizinhos no debate sobre o ingresso irregular de estrangeiros na União Europeia .
Ao menos seis países anunciaram a intenção de retomar o envio de imigrantes que estão à espera de proteção internacional em seus territórios para a Itália. Eles consideram que Roma é responsável pela gestão desses pedidos de asilo, por ter sido o primeiro país da UE em que esses solicitantes chegaram.
A Itália, por suas fronteiras marítimas, é uma das principais portas de ingresso do bloco, ao lado de Grécia e Espanha. No entanto, poucos meses após a posse, em 2022, o governo Giorgia Meloni interrompeu a maior parte das transferências de solicitantes de asilo por suposta falta de estruturas de acolhimento.
Não há indícios de uma ação coordenada, mas Alemanha , Suíça , Áustria , Finlândia , Suécia e Holanda voltaram a tocar nesse tema nos últimos dias, indicando que estão se preparando para mandar imigrantes de volta para a Itália .
São casos de estrangeiros que entraram de modo irregular nas fronteiras italianas, viajaram até outro país da UE e apresentaram ali um pedido de asilo. Pelas regras do bloco, conhecidas como sistema de Dublin, cabe à Itália analisar esses casos. Isso então permite que o imigrante seja enviado de volta ao território italiano.
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O número total pessoas que poderiam ser transferidas à Itália é incerto, mas em 2025 o país foi o que mais recebeu esse tipo de pedido dentro da UE. Segundo o Eurostat, foram 24 mil solicitações às autoridades italianas, das quais apenas 85 transferências foram realmente efetuadas.
A retomada das transferências desses imigrantes tem a ver com o novo Pacto Europeu sobre Imigração e Asilo, que entrou em vigor em junho. Segundo Lena Riemer, professora de direito da Universidade da Europa Central (CEU) em Viena , especializada em asilo e direitos humanos, as novas regras deixaram mais evidente a responsabilidade de países de primeiro ingresso.
Para Riemer, o fato de seis países terem se manifestado sobre o tema nesses dias, com a intenção de retomar as devoluções para a Itália, não tem relação com os episódios em Ceuta.
"Trata-se de mostrar firmeza, de dizer que não vão mais tolerar países que se negam a receber pessoas de volta. São eles dizendo que existem regras e que é preciso cumpri-las", afirma.
Para um governo que tem o combate à imigração como bandeira, a chegada de refugiados em busca de asilo é um assunto indigesto, ainda mais devido ao calendário. Os italianos vão às urnas no ano que vem, e Meloni pretende mostrar bons resultados nessa área.
Para a oposição, a movimentação dos países vizinhos é, sim, efeito da suspensão do tratado Schengen com a Espanha, que ainda está em vigor.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.