'Não há palavras pra descrever a dor': a mobilização de um vilarejo para ajudar vítimas de acidente de trem na Espanha
Urda é um daqueles lugares que visitei muitas vezes para contar suas histórias. Nunca imaginei que voltaria para contar uma tragédia como esta .
Sirenes, ambulâncias, bombeiros e pessoas caminhando com o olhar perdido. Foi o que encontrei na quarta-feira (28/10), quando cheguei a este pequeno vilarejo da província de Toledo, em Castilla-La Mancha, ao sul de Madri.
Naquela manhã , dois trens colidiram nas proximidades de Urd a, deixando pelo menos 74 mortos e dezenas de pessoas feridas.
Sou de Castilla-La Mancha e trabalhei durante muitos anos na televisão pública regional. Foi assim que visitei Urda tantas vezes, principalmente no fim de setembro, durante a peregrinação do Cristo de Urda, uma celebração que reúne milhares de pessoas da região.
O barulho, a correria, as equipes médicas, os carros que iam e vinham, os colegas da imprensa, a movimentação frenética. E, em meio a tudo isso, pessoas que tentavam ajudar quem tinha acabado de sair dos trens.
A cena diante dos meus olhos não tinha nada a ver com a imagem que eu guardava daquele vilarejo.
E uma coisa é viver tudo isso como jornalista; outra, como alguém que é dali.
A adrenalina de jornalista nos impulsiona a seguir em frente, mas a cena era dantesca.
Quando cheguei ao local do acidente, a cerca de 8 km do vilarejo, vi os vagões destruídos dos dois lados do aterro e os últimos feridos que ainda conseguiam caminhar se dirigindo aos ônibus disponibilizados para transportá-los.
Do outro lado, uma fila de ambulâncias atendia os feridos em estado mais grave.
A cabeça funciona quase no piloto automático, mas há cenas que a gente não esquece.
E, enquanto a imprensa ainda tenta reconstruir o que aconteceu, em Urda há moradores que passam horas fazendo tudo o que podem para ajudar.
Alguns moradores transportaram feridos em seus próprios veículos; outros levaram água e comida ao ginásio municipal, onde as vítimas recebiam atendimento.
Foi o caso de Soraya Rodríguez, de 40 anos, dona de um dos supermercados do vilarejo. Quando abriu as portas do estabelecimento naquela manhã, ela ainda não sabia o que estava acontecendo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bbc.com — o conteúdo pertence a BBC News Brasil.