Líbano extradita ex-general de Assad para a Síria para ser julgado por crimes na guerra civil
O Líbano extraditou na quarta-feira um antigo oficial militar sírio que serviu sob o deposto presidente Bashar Assad, que será julgado para responder por crimes cometidos contra o povo sírio durante os 14 anos de guerra civil sob Assad, informou o Ministério do Interior.
O major-general Adel Issa é o primeiro oficial militar entregue pelo Líbano desde a queda de Assad, em dezembro de 2024. Beirute decidiu na terça-feira entregar Issa à Síria, depois de o interrogar sobre crimes que alegadamente cometeu durante os 24 anos de mandato de Assad como presidente.
O Ministério do Interior sírio afirmou ter pedido às autoridades libanesas que entregassem Issa à Síria por alegados crimes, incluindo homicídio intencional de mais de duas pessoas, tortura com resultado de morte e atos de agressão destinados a incitar guerra civil e conflito sectário.
O ministério acrescentou que Issa foi comandante da 17.ª Divisão do exército sírio e comandante das forças terrestres na província oriental de Deir ez-Zor até 2016. O ministério divulgou uma fotografia de Issa com uniforme de prisioneiro.
Responsáveis em Beirute indicaram na terça-feira que Issa foi entregue à Síria ao abrigo de um acordo de 1951 entre os dois países que prevê a entrega de suspeitos de crimes para enfrentarem a justiça.
Depois de combatentes sírios opositores de Assad terem entrado em Damasco, em dezembro de 2024, pondo fim a cinco décadas de domínio da família Assad, vários oficiais militares e de segurança fugiram para o Líbano, onde alguns permanecem.
Dezenas de outros antigos membros dos seus serviços de segurança, acusados de atrocidades, foram detidos e julgados na Síria.
Na semana passada, um tribunal sírio condenou à morte, à revelia, Assad e o irmão mais novo, Maher, enquanto o primo materno de ambos, o brigadeiro-general Atef Najib, se tornou o ex-responsável de segurança de mais alto nível a ser condenado à morte estando sob custódia.
Os irmãos Assad fugiram para a Rússia durante uma revolta surpresa de 11 dias, no final de 2024.
Issa foi detido em 8 de agosto quando se deslocou à embaixada da Síria em Beirute para tratar de documentação. Funcionários da embaixada contactaram a procuradoria libanesa para informar que Issa era procurado na Síria. Issa tinha fugido para o Líbano atravessando a fronteira ilegalmente após a queda de Assad.
O conflito na Síria, que começou com protestos antigovernamentais em março de 2011 antes de se transformar em guerra civil, causou, segundo estimativas conservadoras, pelo menos 500 mil mortos e mais de 1 milhão de feridos.
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