Coco Chanel e o nazismo: a moda de luxo a serviço da barbárie
Há 143 anos, em 19 de agosto de 1883, nascia a estilista e empresária francesa Coco Chanel, uma das figuras mais influentes da história da moda. Ela foi responsável por construir um império bilionário no mercado de luxo e ajudou a renovar o vestuário feminino, popularizando roupas mais simples e funcionais.
Se a contribuição de Chanel para a moda é bem conhecida, há outro aspecto de sua biografia que costuma receber bem menos atenção. Chanel foi uma simpatizante e colaboradora ativa do regime nazista. Ela atuou como espiã do serviço de inteligência de Hitler e manteve por vários anos um relacionamento amoroso com Hans Günther von Dincklage, um oficial da Abwehr.
Coco Chanel participou da Operação Modellhut, uma missão de oficiais da SS que previa uma negociação secreta entre o regime nazista e o governo de Winston Churchill. Ela também recorreu às leis de arianização para tentar se apoderar da empresa que criou em sociedade com os irmãos judeus Wertheimer. Após a guerra, Chanel comprou o silêncio de Walter Schellenberg, oficial da SS, para que ele não a denunciasse em suas memórias.
Gabrielle Bonheur Chanel nasceu em Saumur, na região do Vale do Loire, filha do vendedor ambulante Albert Chanel e da lavadeira Eugénie Jeanne Devolle. A família vivia em condições precárias, dividindo o único cômodo de um cortiço. Aos 11 anos, Gabrielle perdeu a mãe, vitimada pela tuberculose. O pai decidiu então entregá-la, junto com suas irmãs, para um orfanato de freiras em Aubazines, na Nova Aquitânia.
Aos 18 anos, Chanel deixou o orfanato e se mudou para Moulins, onde começou a trabalhar como costureira — ofício que aprendera com as freiras de Aubazine. Ela também passou a fazer bicos como cantora de cabaré e acabou por se tornar uma atração no café La Rotonde, onde se apresentava sob o nome artístico de “Coco Chanel”.
A presença nos palcos permitiu que Chanel se relacionasse com homens ricos e poderosos, incluindo o industrial Étienne Balsan e o jogador de polo Boy Capel. Balsan a levou para viver em um opulento château nos arredores de Compiègne e a introduziu nos círculos aristocráticos. Capel, por sua vez, impulsionou a carreira de Chanel como estilista, financiando a abertura de suas primeiras lojas de chapéus em Paris.
Chanel rapidamente se consagrou no mundo da moda. Seus chapéus elegantes adornaram celebridades como a atriz Gabrielle Dorziat e estamparam um ensaio na revista “Les Modes”. Em 1913, ela abriu uma boutique em Deauville, onde passou a comercializar acessórios e roupas de luxo.
Entre as décadas de 1910 e 1920, Chanel ajudaria a revolucionar o vestuário feminino na França. A estilista contestou várias das tendências então vigentes, desde os vestidos confeccionados com tecidos pesados até o culto à chamada “silhueta de espartilho”.
Chanel apostava em roupas mais simples, leves, adaptadas à vida urbana na era industrial. Também costumava incorporar elementos funcionais da moda masculina.
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