Novela Vorcaro e as peças do tabuleiro global em torno das terras raras e petróleo
EUA e China movem suas peças no tabuleiro global na disputa por terras raras no Brasil (Imagem IA/Portal Cinco) Como a memória do brasileiro é fraca e seletiva, é preciso lembrar que, nas eleições presidenciais passadas, as principais discussões nas redes sociais eram os discursos alarmistas de que o Brasil poderia virar uma Venezuela, que o brasileiro iria comer cachorro, que poderiam fechar as igrejas e que as famílias poderiam ter suas casas tomadas ou compartilhadas com famílias de sem-teto.
O mundo girou e estamos novamente diante de uma nova eleição presidencial em que aqueles discursos do passado se comprovaram um delírio e com um elemento a mais: o escândalo que pode ser o maior de todos os tempos, o do bilionário esquema do caso Vorcaro que tem balançado não só o mundo político como também o alicerce do Supremo Tribunal Federal (STF).
No entanto, a principal discussão que deveria estar no centro das discussões não só na disputa presidencial, como também dos governos estaduais, é sobre a posição do Brasil na corrida global pelos minérios estratégicos e petróleo, os quais são fundamentais para a transição energética, a segurança alimentar, a indústria de defesa e o avanço tecnológico.
Como o Brasil é detentor de uma das maiores e mais diversificadas reservas minerais do planeta, é óbvio que o país se tornou estratégico nessa disputa global.
Mas esse assunto tem sido engolido pelos escândalos e a discussão tem passado ao largo dos debates dos políticos, o que se torna uma questão muito preocupante para o futuro do país.
Roraima é um dos estados estratégicos dentro dessa discussão, tanto pela descoberta de terras raras em Caracaraí, entre as serras do Baraúna e do Anauá, e da pesquisa de petróleo na Bacia do Tacutu, na fronteira com a Guiana, que está em andamento, inclusive com a inclusão da região no edital de licitação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Enquanto os olhares dos brasileiros estão voltados para os desvios de bilhões no banco Master, com milhões distribuídos a políticos e filhos de ministros, e a festa promovida a autoridades pelo empresário Daniel Vorcaro na casa Madame Satã, os Estados Unidos movem suas peças no tabuleiro na América do Sul.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, encerrou na quinta-feira passada, 10, uma agenda de três dias na Colômbia, Equador e Peru, países governados por alinhados à agenda do presidente Donald Trump, com acordos e compromissos firmados que misturam combate ao narcotráfico, cooperação militar, acesso a minerais críticos, energia e comércio.
O Brasil é “a bola da vez”, já com seguidas tentativas por meio do oferecimento de supostos acordos para combater o narcotráfico e organizações criminosas.
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