Estreia de pista de Madri lembrou marasmo do GP de Mônaco, mas tem salvação
Uma das coisas legais e desafiadoras do campeonato da Fórmula 1 é que ele é bastante variado e essas duas últimas semanas de corrida mostraram justamente isso: do desafio de alta velocidade de Monza, em que Kimi Antonelli pôde vir passando todo mundo para largar em 19º e vencer, para uma corrida em que quase ninguém passou ninguém e cujo resultado só não foi totalmente pautado pela classificação por conta de um Safety Car Virtual que acabou segundos antes que o pole position e piloto mais rápido do dia, Lando Norris, pudesse aproveitar para vencer.
E, sob condições completamente diferentes e falando em sorte, o resultado foi o mesmo: Antonelli venceu pela oitava vez no ano e agora tem uma vantagem enorme, de 81 pontos, na liderança do campeonato.
Mais do que isso: o GP da Espanha foi daquelas provas que parecem se arrastar por horas, enquanto o GP da Itália parece ter passado, literalmente, correndo.
A boa notícia é que os pilotos até conseguem enxergar o que dá para fazer para melhorar a pista que estreou este ano em Madri. "É mais fácil mudar Madri do que Mônaco porque há espaço", lembrou Fred Vasseur, chefe da Ferrari.
Espaço, aliás, foi o que fez a F1 assinar um contrato longo para esta prova, realizada em uma zona que recebe feiras e shows, e tem balcões enormes. A ideia central é conseguir vender o máximo de ingressos daqueles mais caros, fazer ativações de marcas, fazer dinheiro.
Neste domingo, parece ter caído a ficha de que a pista também precisa ser empolgante, não apenas as oportunidades comerciais.
A grande crítica dos pilotos foi o fato de que, nos potenciais pontos de ultrapassagem - especialmente na curva 5 e na curva 1 - eles estão freando ao mesmo tempo em que estão virando o carro, e é muito difícil conseguir ultrapassar assim. Além, é claro, da falta de espaço de colocar o carro de lado, algo que ficou claro quando Verstappen e Antonelli tentaram ser agressivos na primeira volta e acabaram saindo da pista nas disputas, respectivamente, com Hamilton e Norris.
Eles construíram algo que representa um desafio para os pilotos. Uma espécie de mini-Macau ou mini-Mônaco. A localização é boa. Estamos pensando no que mais podemos fazer no ano que vem em termos de eventos ou apresentações aqui, pois temos espaço — algo muito raro. Então, parabéns pela estreia. Agora vem a parte mais complexa.
Criar uma pista que seja espetacular também para os pilotos e construí-la de forma a permitir muitas ultrapassagens. Conversei ontem com o CEO do circuito, e eles estão totalmente abertos a sugestões para o ano que vem. Não dá para deixar o traçado exatamente como está. Toto Wolff, chefe da Mercedes
Os pilotos gostaram do desafio, acham a pista difícil, se divertiram muito na classificação. Mas a falta de oportunidades de ultrapassagens é frustrante. Max Verstappen foi até irônico ao responder como aguentou a pressão de Norris nas voltas finais da prova.
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