Lula 4: como o governo pretende lidar com Trump e reconstruir a relação com os EUA
O terceiro mandato do presidente Lula (PT) foi marcado por idas e vindas na relação do Brasil com os Estados Unidos.
Se, em 2023, os países compartilhavam uma agenda comum em temas como a pauta ambiental, a volta de Donald Trump ao poder, no início de 2025, trouxe as tarifas comerciais e a aplicação da Lei Magnitsky para o centro da mesa.
Reeleito com um discurso que denunciou, entre outras iniciativas, interferência estrangeira nas eleições de 2026, Lula parte para o seu quarto mandato apostando em uma relação pragmática com Washington.
Independentemente, inclusive, do resultado das eleições de meio de mandato nos EUA, marcadas para a próxima terça-feira (3), cujas pesquisas apontam que Trump deve perder maioria em pelo menos uma das Casas do Congresso .
EUA: foco na cooperação Não é novidade que a relação com Trump, neste momento, é um campo minado.
De 2025 para cá, a política externa americana passou a ser a política externa Trump.
Tamanha dificuldade vale não só para o Brasil, mas para aliados históricos dos EUA, como boa parte dos países da Europa ocidental.
Antes conhecido pela estabilidade institucional, o Departamento de Estado dos EUA, sob a égide do seu secretário de Estado, Marco Rubio, passou a ser fonte de incerteza.
O que antes era parceria estratégica, passou a ser entendido como ameaça mais explícita.
Essa mudança de praxis diplomática tem alterado os cálculos de diplomatas habituados às mais diferentes instâncias de negociação.
No caso brasileiro, o Planalto considera que o pragmatismo deve prosperar, em primeiro lugar, motivado pela necessidade inerente que Brasil e EUA têm um do outro, em termos de comércio, cooperação e defesa.
Internamente, o Ministério das Relações Exteriores reconhece que os dois países têm, neste momento, entendimentos distintos sobre multilateralismo e relações bilaterais, mas que é possível navegar bem nas pautas comuns.
Uma delas é a segurança pública.
Washington já conseguiu agregar boa parte dos países do entorno estratégico brasileiro ao Escudo das Américas, a aliança criada por Trump para tratar da segurança em países da região, mas o Brasil é uma das exceções.
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