Netanyahu ganha fôlego na apuração, mas futuro governo dependerá do peso inédito da minoria árabe
As eleições legislativas realizadas na terça-feira (27) em Israel deixaram um cenário mais favorável ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu do que indicavam as pesquisas de boca de urna divulgadas após o fechamento das urnas. Com mais da metade dos votos apurados na manhã desta quarta-feira (28), o bloco governista ampliou sua vantagem sobre a oposição liderada por Gadi Eisenkot.
Ainda assim, nenhum dos dois campos políticos alcança a maioria necessária para formar governo. Nesse contexto, o desempenho recorde dos partidos árabes pode ser decisivo para determinar quem receberá do presidente Isaac Herzog a missão de tentar construir a próxima coalizão governista .
Se as pesquisas divulgadas na noite de terça-feira (27) apontavam vantagem para o bloco de oposição, os resultados parciais divulgados na manhã desta quarta-feira mostraram um fortalecimento de Benjamin Netanyahu.
Com mais da metade das urnas apuradas, o Likud, partido liderado pelo primeiro-ministro, aparecia com 27 das 120 cadeiras da Knesset, o Parlamento israelense. O partido Yashar, do ex-general Gadi Eisenkot, surgia em segundo lugar, com 21 assentos.
Apesar do avanço de Netanyahu, nenhum dos dois blocos reúne a maioria de 61 cadeiras necessária para governar.
O campo governista contabilizava 55 parlamentares, enquanto o bloco de oposição somava 49. A composição final ainda pode sofrer alterações até a divulgação dos resultados definitivos, prevista para quinta-feira. Até o momento, os partidos árabes de Israel alcançaram um recorde de 16 mandatos e com isso confirmam que serão decisivos para a formação de um governo.
Após a publicação dos resultados finais pelo Comitê Eleitoral, o presidente de Israel, Isaac Herzog, vai se reunir com todas as bancadas e ouvir dos partidos a recomendação de quem deverá ter a oportunidade de tentar formar uma coalizão de governo.
Normalmente, o escolhido é o líder do partido mais votado, mas não é uma obrigação. Herzog levará em consideração a capacidade de formar uma coalizão.
Após a decisão do presidente israelense, o político nomeado tem 28 dias para tentar formar o próximo governo, ou seja, obter uma coalizão com pelo menos 61 parlamentares. Se falhar, o prazo pode ser estendido por mais 14 dias.
Até o momento, os partidos árabes alcançavam entre 15 e 16 cadeiras, um resultado considerado histórico e suficiente para colocá-los no centro das negociações políticas.
Representando uma minoria equivalente a cerca de 20% da população israelense, essas legendas registraram forte mobilização eleitoral e ampliaram sua presença parlamentar.
A AFP destaca que a participação da população árabe alcançou níveis sem precedentes e fortaleceu a Lista Unificada, coalizão que reúne diferentes partidos do setor.
O resultado faz dos parlamentares árabes uma força potencialmente decisiva para a formação do próximo governo, embora tanto Netanyahu quanto parte da oposição mantenham reservas em relação a uma aliança formal com essas legendas.
A situação é particularmente delicada para Gadi Eisenkot.
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