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Política

Crepúsculo do universalismo: a metamorfose da esquerda contemporânea

Consultor Jurídico ·
Crepúsculo do universalismo: a metamorfose da esquerda contemporânea

A história das ideias políticas no mundo pós-Segunda Guerra Mundial foi largamente moldada por uma promessa de redenção coletiva.

Das cinzas de um conflito global, emergiu uma esquerda cujo vigor moral residia no universalismo, na humanização das relações de trabalho e na busca por um altruísmo cívico capaz de amortecer as engrenagens mais severas do capitalismo industrial.

O seu horizonte era a coesão; o seu sujeito histórico, o trabalhador; a sua meta, a superação das abissais diferenças econômicas que separavam a miséria da dignidade.

Contudo, ao observarmos o panorama político contemporâneo, deparamo-nos com um profundo paradoxo filosófico: o movimento que outrora se ergueu para unir os desamparados sob uma bandeira comum parece ter abdicado de sua essência integradora em favor de uma fragmentação dogmática e de um pragmatismo de poder que nega as suas próprias raízes.

Primeiro sintoma dessa metamorfose é a substituição da questão social pela hipertrofia identitária A antiga crítica estrutural, que enxergava no aspecto econômico o principal vetor de desigualdade, cedeu espaço a uma micropolítica de ressentimentos.

A legítima busca pela superação de discriminações históricas e pela plena igualdade civil entre todos os cidadãos foi sequestrada por um identitarismo sectário, que transformou causas humanitárias em trincheiras de beligerância permanente.

Em vez de promover a síntese e a pacificação social sob o manto da isonomia constitucional, passou-se a incentivar a fragmentação sistemática, opondo grupos sociais não mais para integrá-los na cidadania, mas como essências antagônicas irreconciliáveis.

O sonho do coletivo dissolveu-se em tribos morais em constante estado de vigilância.

Essa alienação da realidade concreta reflete-se de maneira aguda na desconexão com o tecido social e cultural das nações, especialmente em realidades como a brasileira.

Spacca … Ao adotar uma postura de desdém intelectual perante a fé, as igrejas e os valores cristãos e conservadores, que constituem a espinha dorsal ética da maioria da população, a esquerda contemporânea trocou o diálogo com o povo real pela imposição de uma vanguarda esclarecida que já não compreende aqueles que diz representar.

Essa alienação da base popular culmina na formação de uma curiosa aristocracia moral.

No Brasil contemporâneo, o discurso dito “social” deslocou-se do chão de fábrica para os salões da alta cultura e para os redutos mais abastados da classe A, simbolizados, no imaginário nacional, pela elite intelectual e artística da Zona Sul carioca.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.conjur.com.br — o conteúdo pertence a Consultor Jurídico.

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