Estrangeiro continua como ‘motor’ da Bolsa brasileira e desconto no valuation diminui, segundo o Bank of America
Os investidores estrangeiros voltaram a dar suporte ao mercado brasileiro na última semana, em um movimento que contrasta com a contínua retirada de recursos dos fundos locais de ações, de acordo com relatório do Bank of America (BofA) .
No período, houve entrada líquida de R$ 1 bilhão na B3 no mercado à vista, enquanto os fundos domésticos registraram resgates da mesma magnitude.
Segundo os estrategistas do banco, os fluxos estrangeiros seguem pequenos, mas consistentes , ajudando a sustentar o desempenho da Bolsa em um momento marcado por decisões de política monetária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos e por incertezas relacionadas ao cenário eleitoral.
No acumulado de 2026, o fluxo líquido dos investidores estrangeiros em ações brasileiras, considerando mercado à vista e futuros, soma R$ 5 bilhões .
Já os fundos locais de ações acumulam saídas de R$ 15 bilhões no período.
“O fluxo estrangeiro deu suporte ao mercado na semana passada”, consideram os analistas do BofA.
Desconto da Bolsa diminui O relatório também aponta que a valorização do mercado reduziu significativamente o desconto das ações brasileiras.
De acordo com o BofA, o Ibovespa excluindo empresas de commodities passou a negociar com desconto de apenas 3% em relação às suas médias históricas , uma melhora expressiva frente aos 15% observados em agosto.
A redução ocorreu após o índice acumular alta de 13% desde a mínima registrada em 14 de agosto.
Na visão do banco, essa recuperação diminui parte do argumento de valuation extremamente descontado que existia semanas atrás, embora as ações brasileiras ainda não estejam negociando acima da média histórica.
Juros seguem no radar Após o Banco Central (BC) reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, enquanto o Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano) elevou os juros americanos na mesma magnitude, os economista já esperam novos cortes de 0,25 pp em todas as reuniões do BC brasileiro até dezembro de 2027.
Já nos Estados Unidos, a expectativa do banco é de mais duas altas de 25 pontos-base ainda em 2026, o que levaria os juros norte-americanos para o intervalo de 4,25% a 4,50%.
“Apesar da redução gradual da taxa brasileira, o diferencial entre a Selic e os juros americanos continua elevado em comparação aos padrões históricos, fator que pode seguir favorecendo o interesse internacional por ativos do país”, considera o BofA.
Investidor ‘otimista’ com o Ibovespa Na pesquisa global do banco, realizada em setembro, 73% dos participantes afirmaram esperar que o Ibovespa encerre o ano em 180 mil pontos ou mais , ante 34% na sondagem anterior.
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