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Plano de Haddad para segurança acerta, mas contém imprecisões

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Plano de Haddad para segurança acerta, mas contém imprecisões

Advogado, é professor de direito internacional e direitos humanos na FGV Direito SP. Doutor pela Central European University (Budapeste), escreve sobre direitos e discriminação

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Contra a dificuldade do campo progressista de se opor ao discurso linha-dura, mas simplista e pouco eficiente, da direita, em matéria de segurança pública, é uma boa estratégia de Haddad lançar um projeto específico para a área, mesmo antes de apresentar o plano de governo. O documento proposto identifica corretamente os principais nós de insegurança em São Paulo: a falta de investigação dos crimes, o desafio do roubo de celular e de carga, o aumento da violência contra mulher e de golpes, e o poder das facções , dentro e fora de presídios.

Há ideias boas no plano. O mantra ao longo do documento é em investigação de crimes, no combate ao crime organizado e no policiamento baseado em dados, um bom foco. O apoio à cooperação interinstitucional, com União e municípios, é bem-vindo, juntamente com o endosso às câmeras policiais . Falta, no entanto, precisão: o tom é menos de um plano de metas monitoráveis, e mais uma série de boas ideias diluídas em meio a frases de efeito.

Por exemplo, o plano garante que todo crime será investigado, o que dificilmente será feito plenamente com a taxa de elucidação de homicídios entre 2020 e 2023 amargando os 40% em SP. Mais valeria se a proposta apresentasse metas realistas de elucidação de crimes, a curto e médio prazos. Falta ainda esclarecer o apoio a municípios, como iluminação urbana. O plano, ademais, confia perigosamente no papel preditivo da tecnologia: câmeras são importantes, mas a menção à inteligência artificial para identificar padrões criminais deveria vir com ressalvas dado o caráter potencialmente discriminatório. Faltam também estratégia clara para rastreamento de armas e protocolo de uso da força não letal pela polícia.

Em janeiro e fevereiro de 2026, a violência policial em SP aumentou 41% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar de acertar em propor o fortalecimento da carreira e da saúde do policial e da autonomia da Ouvidoria das Polícias, o plano não mencionar expressamente a redução da letalidade constitui uma omissão grave do campo progressista.

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