Alagoas tem disputa de cardeais do antigo e do novo centrão em embate de Lira e Renan Calheiros
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Duas vezes presidente da Câmara dos Deputados , Arthur Lira (PP-AL) desafia, nesta eleição , o domínio do três vezes comandante do Senado Renan Calheiros ( MDB -AL), que pode se tornar o recordista de mandatos na Casa Alta desde a redemocratização. A disputa local nutre também nos alagoanos a expectativa de que, qualquer que seja o vencedor, pode sair dali o presidente do Congresso Nacional.
A campanha começou em agosto, mas a disputa se arrasta há anos. Os dois se enfrentaram em brigas por relatorias de projetos de lei, por influência sobre partidos e prefeitos, por cargos e pelos rumos de CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito). Até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou um armistício , sem sucesso.
Neste ano, há duas vagas para o Senado, mas Renan Calheiros parece ter como meta impedir a ascensão de Lira. É do adversário que o senador mais fala em conversas com a reportagem da Folha, em Brasília e em Maceió, para tratar da campanha.
"Ele perdeu as últimas três eleições majoritárias para mim", diz. "Nunca estivemos aliados. Temos práticas políticas diferentes, não uso essas táticas de orçamento secreto", acrescenta.
Lira, por sua vez, apoia JHC (PSDB) ao governo contra Renan Filho (MDB) —filho de Calheiros—, mas não evita que prefeitos do PP e União Brasil peçam votos para os rivais.
A distribuição de verbas a prefeituras para obras e até para pagar salários de servidores é o principal ativo de Lira. O modelo se intensificou com as emendas parlamentares de relator, criadas no governo Jair Bolsonaro ( PL ), e continuou com as emendas de comissão, no governo Lula . Ambas as modalidades foram questionadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) pela falta de transparência e critérios técnicos .
Os recursos se tornaram vitais para os pequenos e médios municípios, mas seu envio depende de um vínculo e de apoio do prefeito ao parlamentar. Até hoje, é impossível dizer qual o valor total que Lira enviou a Alagoas por meio de emendas de tramitação opaca no Orçamento.
Série de reportagens conta como os líderes do centrão, como Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), constroem o seu poder e a sua influência na política nacional, a partir de histórias nos seus redutos eleitorais.
Ferramenta interativa mostra para onde cada deputado federal e senador enviou verbas
No lançamento do comitê de campanha dele em Maceió, montado ao custo de R$ 150 mil num terreno do tamanho de um quarteirão, o locutor anuncia o valor de R$ 8 bilhões usados em moradias, obras, custeio para a saúde, tratores e maquinário, entregues pelo parlamentar. "É o 'diferenciado'", diz o slogan de Lira.
Questionado pela Folha sobre o valor, superior ao orçamento da maioria dos ministérios, Lira desconversa: "Não sei de cabeça".
O apoio de prefeitos deixa evidente, porém, que o valor é expressivo. O MDB de Renan Calheiros elegeu 70 dos 102 prefeitos de Alagoas, mas foi incapaz de impedir que a maioria deles declarasse voto em Lira nesta eleição. Só 20 estão com o dr.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.