A Premier League moderna: como o futebol inglês atrai investimentos de grandes proporções
Na sexta-feira, 14 de agosto, o bilionário Jeff Bezos, detentor da quarta maior fortuna do mundo, se tornou o mais novo acionista do Liverpool.
O fundador da Amazon faz parte da 1892 Holdings, grupo para o qual foi vendida uma participação minoritária da instituição ao consórcio de investidores que também inclui o brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook.
Apesar do impacto da notícia, o anúncio passa longe de ser um caso isolado.
O fato é que o futebol inglês há muito tempo deixou de se tratar apenas de fazer contratações milionárias e investir pesado em um elenco de estrelas, passando também pela aquisição de pequenas participações em clubes e pela geração de bilhões de libras.
A nova fase do futebol inglês é clara quando se analisam os dados levantados pela Deloitte Football Money League 2026: na temporada 2010/11, apenas quatro times da Premier League figuravam entre as equipes que mais faturavam no futebol mundial.
Na temporada passada, o número subiu para seis.
O Liverpool, por exemplo, passou a faturar 836,1 milhões de libras na temporada 2024/25 que, comparados aos 203,3 milhões de libras de quinze anos atrás, significam um aumento superior a 300% na receita do clube.
“O futebol inglês vive uma nova fase de valorização.
Se antes a principal disputa bilionária era pela contratação de jogadores, hoje os clubes passaram a ser vistos como ativos estratégicos por investidores do mundo inteiro.
A força comercial da Premier League, aliada à capacidade de geração de receita e ao alcance global das marcas, faz com que participações em equipes tradicionais sejam encaradas como investimentos de longo prazo, com potencial de retorno dentro e fora das quatro linhas”, afirma Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports, agência brasileira de marketing esportivo.
Além do Liverpool, outros gigantes do futebol inglês também tiveram lucros expressivos na última temporada.
No ranking realizado no mesmo levantamento da Deloitte, o Manchester City vem em segundo lugar, com 829,3 milhões de libras, seguido por Arsenal (€ 821,7 milhões), Manchester United (€ 793,1 milhões), Tottenham (€ 672,6 milhões) e Chelsea (€ 584,1 milhões).
Mais do que o puro crescimento da liga, o fortalecimento financeiro dos clubes se deve a uma reorganização das receitas na Premier League, com uma nova configuração que vai além do âmbito esportivo.
O Annual Review of Football Finance apontou que os 20 clubes de maior faturamento do mundo lucram majoritariamente com receitas comerciais (5,3 bilhões de euros), direitos de transmissão (4,7 bilhões de euros) e receitas de matchday (2,4 bilhões de euros), referentes ao consumo nos estádios.
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