Análise: Resposta do governo ao tarifaço não tem efeito prático imediato
O processo de resposta do governo brasileiro ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos , baseado na Lei de Reciprocidade Econômica aprovada pelo Congresso Nacional, não deve resultar em medidas concretas de forma imediata.
Avaliações internas indicam que decisões sobre eventuais taxações de retaliação podem se estender para além do período eleitoral e adentrar o ano de 2027, segundo o analista de Economia da CNN Victor Irajá, ao CNN Novo Dia .
Conforme explicou o analista, não se trata da aplicação imediata de uma tarifa de 25% ou de 37,5% como contrapartida idêntica às medidas adotadas pelos Estados Unidos.
O Brasil optou pelo chamado caminho mais longo, previsto pela própria legislação, que envolve uma série de etapas burocráticas e consultas antes de qualquer decisão efetiva .
As três vias de contramedidas previstas pela legislação A legislação brasileira permite que o país adote três principais tipos de contramedidas.
A primeira seria a aplicação de tarifas recíprocas sobre produtos e serviços norte-americanos importados pelo Brasil — a chamada “tarifa espelho” —, que poderia inclusive afetar redes sociais.
A segunda consiste na suspensão de obrigações de propriedade intelectual , medida considerada mais sensível e que gera preocupação no setor privado por conta da insegurança jurídica que pode provocar.
A terceira via seria a suspensão de concessões ou obrigações previstas em acordos comerciais internacionais multilaterais .
Leia mais Medidas de reciprocidade podem elevar custo de vida e produção, diz Insper Análise: Setor privado não queria reciprocidade por parte do Brasil Governo Lula abre processo de reciprocidade contra EUA após novo tarifaço O governo brasileiro teria ainda a possibilidade de escolher produtos, serviços e instrumentos de forma isolada ou combinada, mensurando os impactos econômicos de cada uma das respostas possíveis , sem necessariamente replicar as mesmas alíquotas impostas pelos norte-americanos.
Cronograma extenso e caráter político da resposta O processo formal segue um cronograma bastante extenso.
A Secretaria Executiva da Camex (Câmara de Comércio Exterior) tem 30 dias para analisar o pedido, prazo prorrogável por mais 30 dias.
Em seguida, o Gecex (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) dispõe de outro prazo de até 30 dias, também prorrogável por igual período.
Após essa etapa, ocorre uma consulta pública de mais 30 dias.
Por fim, o Conselho Estratégico da Camex tem até 60 dias, prorrogáveis por mais 60, para decidir sobre o tema.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.