Condenada à morte aos 21 anos, iraniana aguarda execução por protestar contra governo
Em janeiro, Taraneh Rahimi e sua irmã gêmea, Romina, juntaram-se a milhares de pessoas em protestos contra as autoridades na cidade iraniana de Isfahan.
Agora, oito meses depois, a jovem está no corredor da morte.
Os protestos, feitos durante o ápice de um movimento nacional desencadeado no final de dezembro pelo aumento do custo de vida, foram reprimidos com violência e resultaram em dezenas de milhares de prisões, segundo organizações de direitos humanos e investigadores da ONU. + Irã condena mulheres à morte por participação em manifestações contra governo Taraneh foi presa uma semana depois dos protestos durante uma batida policial na casa em que estava.
Ela foi condenada à morte em 31 de agosto por por participação em incidentes em uma praça que deixaram dois mortos, entre eles um integrante das forças de segurança, segundo o grupo Hengaw, sediado na Noruega, e a ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos.
Outros acusados por participação no mesmo incidente foram condenados a até 36 anos de prisão, incluindo a irmã de Taraneh.
A jovem, que completou 21 anos já na prisão, “sofre torturas físicas e constante tortura psicológica”, segundo informações da agência de notícias AFP com base em relatos da família.
Continua após a publicidade “Os jovens foram torturados uns na frente dos outros, um após o outro.
Eles se certificaram de que Taraneh ouvisse os gritos de Romina.
Disseram a ela: ‘Se você não assinar essas confissões, vamos estuprar sua irmã na sua frente.’ É claro que ela assinou”, disse Masud Nourmohamadi, um primo de Taraneh, que mora nos Estados Unidos.
O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI), com sede nos Estados Unidos, também está preocupado com a saúde de Taraneh, e observou que “ela tem dificuldade para andar”.
Sua sentença ainda pode ser contestada, mas o Irã já executou 29 pessoas — todos homens — em conexão com os protestos, após julgamentos considerados injustos por diversas ONGs, entre elas a Anistia Internacional.
Continua após a publicidade Ativistas acusam o Irã de enforcar manifestantes para semear o medo na população, no contexto da guerra com os Estados Unidos.
Por sua vez, as autoridades iranianas alegam agir contra os instigadores dos protestos, que descrevem como “distúrbios fomentados pelo exterior”.
Os protestos A onda de protestos no Irã, que durou até o final de janeiro, ganhou força a partir do fim de dezembro passado, impulsionada pelo colapso da economia iraniana e pelo derretimento da moeda nacional, o rial, que perdeu quase 50% do valor contra o dólar ao longo de 2025 e atingiu uma baixa histórica.
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