Aliança inédita desafia a velha ordem política na Palestina
Depois de duas décadas sem eleições legislativas, o povo palestino poderá finalmente ser chamado a renovar suas instituições. O decreto presidencial estabelece 28 de novembro de 2026 para a escolha dos 132 integrantes do Conselho Legislativo, com votação prevista em Jerusalém Oriental, Cisjordânia e Faixa de Gaza.
A questão central, contudo, não é apenas se as eleições ocorrerão, mas se os palestinos poderão escolher livremente seus representantes, inclusive os que defendem a resistência, e se o resultado será respeitado.
A última eleição legislativa ocorreu em janeiro de 2006. O Hamas, concorrendo pela lista Mudança e Reforma, conquistou 74 cadeiras e derrotou a Fatah.
Em vez de reconhecer a decisão popular, Israel, Estados Unidos e seus aliados impuseram sanções e trabalharam para inviabilizar o governo liderado por Ismail Haniyeh. A experiência mostrou que, para as potências ocidentais, a democracia palestina só é aceita quando produz o resultado desejado.
Desde então, a vida política palestina permaneceu aprisionada entre ocupação, divisão interna e esvaziamento institucional.
O Conselho Legislativo deixou de funcionar e foi dissolvido em 2018. As eleições presidenciais não ocorrem desde 2005. Mahmoud Abbas, eleito originalmente para quatro anos, permanece no poder há mais de duas décadas sem submeter novamente sua liderança ao voto popular.
Esse vazio democrático explica a importância das eleições anunciadas, mas também revela por que Abbas é um dos principais fatores de incerteza.
O presidente acumula promessas não cumpridas, adiamentos e recuos. Em 2021, eleições legislativas e presidenciais chegaram a ser convocadas, mas foram suspensas sob a justificativa de que Israel não havia garantido a participação de Jerusalém Oriental.
Embora essa participação seja um direito inegociável, a decisão foi amplamente interpretada como uma manobra para evitar a derrota de uma Fatah fragmentada diante do Hamas e de outras forças oposicionistas.
O precedente permanece. Se a possibilidade de derrota voltar a ameaçar o grupo que comanda a Autoridade Palestina, Abbas respeitará as urnas ou encontrará outra justificativa para cancelá-las?
A desconfiança é ampliada pelo isolamento de Mahmoud Abbas. Pesquisa realizada em agosto de 2026 mostra que apenas 20% aprovam seu desempenho, enquanto 76% o desaprovam. Nada menos que 79% defendem sua renúncia, percentual que chega a 82% na Cisjordânia.
Além disso, 83% identificam corrupção nas instituições da Autoridade Palestina e 65% consideram a própria Autoridade um peso, não uma conquista nacional. Trata-se de uma profunda crise de confiança e legitimidade.
É nesse cenário que surge o elemento mais inovador do processo: uma aliança político-eleitoral nacional em construção, reunindo Hamas, Jihad Islâmica, Frente Popular para a Libertação da Palestina, uma corrente reformista da Fatah, Nasser al-Qudwa, Brigadas Nasser Salah al-Din e outras forças e personalidades.
A composição ainda depende de um programa comum e da confirmação formal de seus participantes. Entretanto, sua articulação já representa uma novidade histórica.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.