Queda de árvore inspira projeto escolar de tecnologia e meio ambiente
A queda de uma árvore no pátio de uma escola na Colônia Agrícola Kanegae, no Distrito Federal, possibilitou que uma professora transformasse o episódio em um projeto escolar que une sustentabilidade e tecnologia.
Da espécie Amendoim-do-campo (Platypodium elegans), a árvore era parte da paisagem da escola, localizada em Riacho Fundo I, e da rotina dos estudantes. Servia de abrigo para pássaros, entre eles tucanos e araras, e, pelo tempo que estava no local, já fazia parte da memória de quem frequenta o espaço.
Por que a árvore caiu? Estava velha? De que espécie era? O que poderia ser feito com o resto da vegetação? E como preservar a história de uma árvore que já não estava mais ali?
Essas perguntas nortearam Ana Lucia Oliveira de Carvalho, professora da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal há 29 anos. A educadora é responsável pelo Laboratório de Informática Educativa da escola. Com essas questões, transformou o episódio em matéria-prima para aprender.
O projeto "O Chamado do Cerrado" foi criado após a queda de um Amendoim-do-campo no pátio da Escola Classe Kanegae.
A professora Ana Lucia passou para os estudantes a missão de inventar seus próprios heróis do Cerrado, com poderes inspirados na fauna, na flora, nas nascentes, na terra e que atuam na preservação do bioma.
"Eu aprendi, ao longo desses anos, que não preciso esperar uma situação perfeita para ensinar. Preciso olhar para o que acontece, ouvir as crianças e perceber que, muitas vezes, uma situação do cotidiano já traz uma oportunidade de aprendizagem"
A árvore passou a ser objeto de investigação. Os alunos utilizaram o laboratório de informática para pesquisar, produzir slides e vídeos, explorar programação, criar trilhas sonoras e utilizar recursos digitais para demonstrar aquilo que iam descobrindo com o trabalho escolar.
Além disso, as crianças investigaram a espécie da árvore, identificaram a matemática presente nas formas, medidas e padrões observados na madeira.
Entre as atividades desenvolvidas, estão o desenvolvimento de jogos, materiais pedagógicos e um trem-cachepô criado para receber novas mudas de plantas.
Dessa forma, o episódio da árvore se consolidou em uma experiência de aprendizagem que envolve Ciências, Matemática, tecnologia, arte e criatividade.
A educadora evidenciou a manutenção da memória da árvore presente na realidade da escola, enquanto apresentou uma diversidade de ações e atividades educativas. Os alunos tiveram que tomar decisões, testar ideias, construir objetos e apresentar as suas descobertas.
“Foi muito bonito perceber que eles não estavam apenas executando uma atividade. Eles perguntavam, pesquisavam, mediam, criavam, gravavam, apresentavam e faziam escolhas. A árvore caiu, mas a história dela continuou crescendo nas novas mudas e no que as crianças aprenderam”
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