Gustavo Franco: juros não estão altos por “BC malvado”, mas por governo irresponsável
A culpa pelos juros ainda estarem em patamar elevado pode até recair sobre o Banco Central, mas são um retrato ainda de um “governo irresponsável”.
Essa é a visão do economista Gustavo Franco , ex-presidente do BC e sócio-fundador da Rio Bravo, em painel de abertura do evento T&E Summit, organizado pela Paytrack.
“A taxa de juros alta parece que é porque o BC é malvado e não porque o governo é irresponsável”, diz.
“É o problema de Gabriel Galípolo hoje, como foi o meu no passado, mas é difícil explicar aos participantes do mercado financeiro e a alguns em Brasília que a culpa dos juros não é do BC, mas sim dos políticos”.
O economista afirma que a inconsistência com a política fiscal que o governo apresenta atualmente é incoerente com a expectativa de que o BC cortasse juros ou perseguisse a meta de inflação.
Leia também : “Resolver equilíbrio fiscal com aumento de impostos é mentira”, diz Gustavo Franco “O mesmo governo que tem um déficit primário é o governo que diz ao BC que tem que fazer uma taxa de juros consistente com uma inflação de 3% ao ano”, comenta.
Para ele, enquanto a questão fiscal não for devidamente endereçada, não há de se falar em atuação diversa para o BC.
“É problema que, resolvido, faz com que o BC possa praticar juros de primeiro mundo.
Que delícia seria ter juros mais perto de 5 que de 10% ao ano” Pior, mas não assustador Franco afirmou que, para economistas, o cenário fiscal nunca pareceu pior.
“O fiscal nunca esteve pior, mas não aparece tão assustador pelas medidas usuais”, afirma.
Hoje, o Brasil tem um resultado negativo em seu superávit primário de cerca de 0,5% [em relação ao PIB], segundo o economista.
Franco faz uma comparação de que o superávit primário se assemelha ao “Ebitda” das empresas: é a geração de caixa do governo e sua capacidade de pagar as contas.
“A forma de medir é singular porque não se mete em dinheiro, mas sim em percentual do PIB”, diz.
Ele lembra que essa métrica se manteve em ajuste, operando no positivo, até o governo de Dilma Rousseff.
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