Investigação policial apura suposto esquema de desvios milionários na diretoria do Juventus
A Polícia Civil do Estado de São Paulo investiga o presidente do Clube Atlético Juventus, Tadeu Deradeli, e o presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Eduardo Gomes Pedroso, por suspeita de desvios financeiro-administrativos. O inquérito é conduzido pela Corregedoria da Polícia por conta do cargo de escrivão de polícia ocupado por Carlos Eduardo, acusado por conselheiros de intimidações e exibição de armas.
Segundo apurações do portal 'ge', apontam a participação do ex-casal de advogados Luma Zaffarani e Guilherme Rodrigues. Em depoimento, Guilherme forneceu planilhas e comprovantes bancários sobre as operações na equipe paulista após o fim da união estável do casal em março.
A divisão de valores envolveria R$ 2 milhões em honorários do contrato da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), firmado há dez meses pelo valor total de R$ 20 milhões. Do primeiro pagamento de R$ 900 mil feito pelo Moleque Travesso em 1º de dezembro (2025), R$ 341,2 mil foram repassados a Carlos Eduardo e R$ 224 mil ao presidente Tadeu Deradeli.
Outro repasse contratual de R$ 350 mil ocorreu em maio (2026). O denunciante detalhou também o adiantamento de R$ 500 mil referente à parceria de 20 anos com a escola Maple Bear, do qual R$ 106 mil foram destinados a Tadeu Deradeli e R$ 369 mil a Luma e Carlos Eduardo.
Luma nega as irregularidades e a divisão de valores repassados aos dirigentes da agremiação da Mooca. “O Guilherme é meu ex-marido, a gente teve um fim de relacionamento complicado, e ele fazia saques de valores altos, chegou a colocar no processo judicial isso, mas eu não tenho conhecimento de investigação da Polícia Civil. Ele chegou a disseminar notícias que fazia repasses, não eu, tenho certeza que não tem comprovante meu. Eu nunca fiz repasse aos presidentes do clube ou do Conselho Deliberativo”, declarou a advogada.
O presidente Tadeu Deradeli confirmou o recebimento de R$ 224 mil, alegando tratar-se de “reembolso de uma aplicação financeira”. Carlos Eduardo orientou a reportagem a procurar a assessoria do clube e recusou a entrevista.
As apurações incluem o contrato de concessão do estacionamento do Grená, fechado em outubro (2025) com a empresa Retaguarda Assessoria Empresarial e Comercial LTDA. O conselheiro Eduardo Pinto Ferreira relatou redução no faturamento do setor de R$ 70 mil a R$ 100 mil para R$ 40 mil, além de ter recebido uma transferência bancária de R$ 17 mil da empresa contratada no dia 31 de dezembro (2025).
A proprietária da empresa, Lilia Aparecida Marinho Rangel, não comentou a transferência, mas afirmou via nota que "a terceirização do estacionamento foi feita dentro das regras e padrões de mercado, inclusive com retorno para o clube maior do que muitas operações, desonerando o clube de todos os custos da operação."
"O Clube Atlético Juventus informa que não comenta o mérito de questões que tramitam em sigilo perante as autoridades competentes.
O Juventus ressalta que questões de foro íntimo, estritamente pessoal de indivíduos que pertencem ao seu quadro associativo, trabalham, prestam ou prestaram serviços ao clube não se confundem com sua atuação, gestão e atividades institucionais.
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