IA e eleições: o novo campo de batalha da violência política de gênero
Imagine uma mulher em campanha eleitoral.
Uma fotografia sua, feita durante um evento, uma entrevista ou uma atividade de campanha, é publicada nas redes sociais.
Dias depois, a mesma imagem reaparece em um contexto completamente distinto daquele em que foi produzida: uma situação íntima que nunca aconteceu.
A cena parece ser de um episódio de Black Mirror , mas está longe de ser ficção.
Hoje, ferramentas de inteligência artificial permitem produzir esse tipo de imagem em poucos cliques.
É o que demonstra relatório 1 publicado pela ONU Mulheres, em parceria com pesquisadores da City St George’s, University of London.
Após uma série de entrevistas com mulheres de 119 países, constatou-se que a violência online contra mulheres na vida pública está se tornando cada vez mais sofisticada tecnologicamente.
Conheça o JOTA PRO Tecnologia, solução corporativa que acompanha todas as movimentações regulatórias e legislativas que impactam o setor Para além da constatação de que as mulheres são alvos dessa violência online, foi constatado que as mulheres tendem a se afastar da vida pública com o receio de serem alvos ou de continuarem sendo.
Segundo os dados, 41% disseram se autocensurar nas redes sociais para evitar abusos, enquanto 19% afirmaram fazer o mesmo no âmbito profissional em razão dos riscos da violência online.
Parte-se, aqui, da tese de que a tecnologia não é neutra.
Ao contrário, ela reproduz e amplifica desigualdades já existentes na sociedade, na medida em que os dados utilizados em seu treinamento carregam previamente vieses e distorções orientados por interesses mercadológicos.
Posto isso, ao olhar para a trajetória das mulheres, historicamente colocadas à margem dos processos decisórios, não é difícil imaginar que as tecnologias podem ser utilizadas de maneira coordenada para impedir ou minar sua participação na esfera pública.
No cenário eleitoral, o impacto afeta não somente a vítima dos ataques, mas a própria integridade do pleito eleitoral.
Uma pesquisa 2 realizada por uma think tank alemã analisou os nomes de 5.872 parlamentares em exercício dos 27 países da União Europeia em 160 domínios associados à pornografia deepfake e a outros conteúdos sexuais não consensuais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.