As conversas e mensagens de Flávio com Vorcaro na negociação de dinheiro para o filme Dark Horse
A Polícia Federal reuniu indícios de que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve participação muito mais ativa do que publicamente alegou ao justificar sua aproximação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Master e protagonista da maior fraude bancária da história do país.
Há conversas recorrentes, avaliações do ex-banqueiro sobre a relevância dos repasses financeiros milionários à cinebiografia Dark Horse e a convicção dos investigadores de que o inquérito deve ser levado adiante para apurar, entre outros pontos, suspeitas de lavagem de dinheiro.
O sigilo das investigações contra o candidato ao Palácio do Planalto foi derrubado por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
De acordo com os policiais federais, a linha do tempo da relação de Flávio Bolsonaro com o Dark Horse pode ser resumida assim: 8 de dezembro de 2024: O publicitário Thiago Miranda, aliado de Vorcaro e investigado na esteira do escândalo do Master, entra em contato om Flávio para agendar uma reunião entre o hoje candidato e o ex-banqueiro.
O assunto, diz Miranda, era o “filme do presidente”.
O encontro entre Vorcaro e Flávio acabou agendado para 11 de dezembro daquele ano.
10 de dezembro de 2024: Uma mensagem atribuída a Flávio e encaminhada por Thiago Miranda a Vorcaro informa que o deputado federal bolsonarista Mário Frias, alvo recente de uma operação policial para apurar se emendas parlamentares foram desviadas para custear ilegalmente a cinebiografia, participaria da reunião.
20 de janeiro de 2025: Thiago Miranda apresenta a Vorcaro o print de uma conversa com Flávio Bolsonaro em que o senador e presidenciável cobrava resposta da equipe jurídica do ex-banqueiro sobre o financiamento da produção audiovisual.
Continua após a publicidade A partir desta data, registra a Polícia Federal, o cunhado de Vorcaro Fabiano Zettel, também investigado por sucessivos escândalos financeiros, entra na jogada.
Àquela altura, as conversas giram em torno da viabilização e do acompanhamento dos repasses de dinheiro para financiar a produção.
28 de janeiro de 2025: Vorcaro diz a Zettel que o pagamento do Dark Horse é “o mais importante disparado” e que não poderia haver falhas nos repasses.
O senso de urgência do ex-banqueiro se compara ao pagamento feito para o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.
Conforme mostrou VEJA, Vorcaro tratava os repasses à banca de advocacia como crucial para os interesses do grupo.
Março de 2025: Miranda informa a Vorcaro que “Flavio B e Eduardo” pretendiam marcar reunião com ele a respeito do filme e – mais relevante – Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estado Unidos, dá, nas palavras da PF, “orientações sobre a gestão dos recursos” no território americano.
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