Diabetes tipo 5: Brasil prepara rastreio de doença ligada à desnutrição
A discussão ocorre nesta semana em reuniões com especialistas em São Paulo e no Rio de Janeiro e deve avançar nesta sexta-feira (28/8), em encontro na Fiocruz-Biomanguinhos. A endocrinologista Hermelinda Pedrosa, titulada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e vice-presidente da IDF, participa das discussões para definir uma proposta de rastreamento que considere as particularidades da população brasileira.
Segundo a especialista, o objetivo é tirar a condição da invisibilidade. "Diria que é um 'resgate da invisibilidade' do DM Tipo 5", afirma. Para ela, reconhecer a condição permite que médicos especialistas, clínicos gerais e profissionais da atenção primária consigam diferenciá-la principalmente dos tipos 1 e 2.
O diabetes tipo 5 é a denominação atualmente utilizada para o chamado diabetes relacionado à desnutrição. Não significa, portanto, que uma doença completamente nova tenha surgido. A condição já era conhecida e foi descrita pela primeira vez em 1955, na Jamaica, pelo médico Hugh-Jones. Por isso, chegou a ser chamada de diabetes tipo J.
Em 1985, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu oficialmente o diabetes relacionado à desnutrição em sua classificação. A categoria, porém, foi retirada em 1999 por falta de evidências consideradas suficientes na época.
Segundo a endocrinologista, o assunto voltou a ganhar atenção diante da publicação de novos estudos, especialmente em países do sul da Ásia e da África. Em 2025, durante o Congresso Mundial de Diabetes, em Bangkok, na Tailândia, a IDF oficializou a denominação tipo 5 e criou um grupo de trabalho para desenvolver critérios de diagnóstico e orientações de tratamento. A entidade estima que cerca de 25 milhões de pessoas no mundo possam ter essa forma de diabetes.
A explicação está relacionada à formação do pâncreas e às células responsáveis pela produção de insulina. A hipótese é que pessoas que passaram por uma desnutrição severa, principalmente durante a gestação ou nos primeiros anos de vida, podem ter desenvolvido uma quantidade menor de células beta, que ficam no pâncreas e produzem insulina.
A insulina é o hormônio responsável por ajudar a glicose — o açúcar presente no sangue — a entrar nas células e ser utilizada como fonte de energia. Quando o organismo não produz quantidade suficiente desse hormônio, a glicose se acumula no sangue e surge a hiperglicemia, ou seja, o nível elevado de açúcar no sangue.
No diabetes tipo 5, a produção de insulina é reduzida, mas não desaparece completamente. Essa diferença ajuda a explicar por que a condição não costuma provocar cetoacidose diabética, uma complicação grave mais associada ao diabetes tipo 1 descompensado.
Uma das dificuldades é justamente distinguir as duas condições. O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune. Isso significa que o próprio sistema imunológico passa a atacar as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Com o avanço da doença, a produção do hormônio pode praticamente desaparecer, fazendo com que o paciente precise de insulina para sobreviver.
Já no tipo 5, existe uma reserva de produção de insulina, embora insuficiente para manter a glicose sob controle.
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