Líder religioso é indiciado por importunação e mais 18 crimes contra fiéis
A Polícia Civil do Tocantins indiciou um dirigente religioso de 38 anos por 19 crimes após concluir sete inquéritos sobre denúncias de abusos contra frequentadores de uma instituição em Palmas.
Investigação da 3ª Delegacia de Polícia de Palmas aponta que o suspeito usava a posição de liderança espiritual para controlar e intimidar vítimas. Segundo a Polícia Civil, ele teria imposto um ambiente de submissão com pressão psicológica e emocional, inclusive durante rituais.
Relatos reunidos nos inquéritos indicam que informações pessoais obtidas em aconselhamentos privados eram usadas para constranger frequentadores. A apuração também cita ameaças envolvendo supostos males espirituais, doenças e morte contra quem demonstrava intenção de deixar a instituição.
Vítimas descreveram episódios de humilhação pública, violência verbal e psicológica, perseguição e agressões físicas. A polícia afirma que há ainda relatos de discriminação relacionada à raça, orientação sexual e identidade de gênero.
Outros casos investigados envolvem impedimento de busca por atendimento médico e indução ao consumo de drogas. A Polícia Civil diz ter identificado elementos sobre fornecimento e incentivo ao uso de maconha e cocaína sob a justificativa de "conexão espiritual".
Com base em depoimentos, áudios, laudos técnicos e outros materiais, a polícia formalizou 19 indiciamentos contra o homem, identificado pelas iniciais F.C.L. Entre os crimes listados estão violência psicológica contra a mulher, ameaça, injúria, injúria real, perseguição, importunação sexual, violação de domicílio, lesão corporal e indução ao consumo de drogas.
Do total de indiciamentos, seis são por violência psicológica contra a mulher e três por ameaça. O investigado também foi indiciado duas vezes por injúria, além de outros crimes apontados ao longo das apurações.
Após a conclusão, os sete inquéritos foram enviados ao Poder Judiciário para as providências cabíveis. A Polícia Civil não detalhou quais serão os próximos passos do processo.
Como as autoridades policiais não divulgaram o nome do suspeito, a reportagem não conseguiu localizar a defesa para pedido de posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação.
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180 , da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.
O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.
As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100 , canal voltado a violações de direitos humanos.
Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH) .
Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência , previstas na Lei Maria da Penha.
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