Estrangeiro bate em retirada e Bolsa volta ao nível de janeiro; o que mudou no cenário para o Brasil?
O ‘risco Brasil ‘ voltou à mesa dos investidores. Na última terça-feira (12), a aversão a risco ao mercado doméstico gerou fortes perdas nos ativos brasileiros, em especial na Bolsa: o Ibovespa caiu 2,5% e retornou ao níveis de janeiro, aos 167 mil pontos.
A percepção entre gestores e analistas ouvidos pelo Money Times é de que a eleição passou a fazer parte da equação de risco dos ativos brasileiros e, principalmente, da Bolsa e da curva de juros.
O movimento de saída dos estrangeiros da Bolsa, já iniciado desde o início do mês, foi intensificado com a visão mais pessimista do JP Morgan para o mercado local. Em relatório, o banco rebaixou a recomendação de ações brasileiras de overweight (equivalente a compra) para neutra , sinalizando cautela com o Brasil em função do ciclo de queda da Selic, cenário eleitoral e deterioração do crédito.
Pesquisas eleitorais apontando para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também entram na conta. Na terça, a pesquisa CNT/MDA mostrou uma vantagem de quase 14 pontos entre Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no primeiro turno, e distância de cerca de 9 pontos entre os candidatos em um eventual segundo turno.
Para os especialistas, a eleição já está no preço dos ativos brasileiros — mas isso não significa que os investidores estejam antecipando um vencedor. O mercado, na verdade, está precificando a falta de clareza sobre o próximo governo e a sua agenda econômica.
“O que aparece nos preços neste momento é um prêmio crescente de incerteza, especialmente sobre a condução fiscal e econômica a partir de 2027”, avalia Olívia de Brás, CEO da Magno Investimentos. “Há uma diferença importante entre antecipar o resultado de uma eleição e começar a cobrar pelo desconhecido. O mercado não precisa saber quem vence para saber que a dúvida custa dinheiro”, acrescentou.
A leitura é compartilhada por Régis Chinchila, analista de research da Terra Investimentos. “O mercado começa a exigir um prêmio maior para carregar ativos brasileiros diante da percepção de que o país segue sem um planejamento fiscal convincente de médio e longo prazo.”
Um gestor ouvido pela reportagem sob a condição de anonimato também afirma que a piora dos ativos domésticos “parece estar bem associada à probabilidade de reeleição do Lula”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.moneytimes.com.br — o conteúdo pertence a Money Times.