Fundador afastado da Apex vai à Justiça para provar que não decidia sozinho
O cofundador e ex-presidente da Apex Partners, Fernando Cinelli, entrou com uma ação na Justiça para exigir que o grupo apresente documentos que podem comprovar que ele não tomou sozinho as decisões que causaram um rombo de ao menos R$ 985,6 milhões .
Cinelli acionou a Justiça do Espírito Santo para obter documentos de 12 empresas do Grupo Apex. O executivo, que foi afastado da presidência em 5 de agosto, quer ter acesso a atas, contratos e e-mails para preparar sua defesa.
As provas que ele pede estão ligadas a três operações do grupo: a compra de 15,5% da CVC Brasil, a emissão de R$ 452,1 milhões em debêntures (títulos de dívida) pela Rhino Securitizadora e a gestão do fundo BRM Carbyne.
A defesa de Cinelli afirma que Cinelli não decidia sozinho. Segundo os advogados, as escolhas do grupo passavam por comitês e grupos de trabalho, o que contesta a acusação de que ele agia de forma individual e centralizada, segundo o processo ajuizado pelos escritórios Dickstein Advogados e Vieira Rabelo Advogados.
O ex-presidente argumenta que foi acusado publicamente sem ter o direito de se defender. Ele afirma que a auditoria interna do grupo, que apontou "inconsistências financeiras", tem caráter preliminar e não foi concluída por auditores externos.
A administração do Grupo Apex, na prática, sempre envolveu uma estrutura de decisão compartilhada que pode ser refletida nos comites e grupos de trabalho(…), estrutura que se refletia, inclusive, nas operações a seguir referidas, hoje apontadas pela imprensa e pelas próprias Requeridas como 'origem da crise'. Trecho da ação
A gestora capixaba comprou mais de 15% das ações da CVC Corp entre 2025 e 2026. A operação, batizada de "Master Capixaba" pelo mercado , não foi paga só com recursos próprios: a Apex canalizou dinheiro de um ecossistema de investimentos de R$ 17,5 bilhões, que reúne ativos de clientes, fortunas sob gestão (wealth management) e fundos de terceiros.
Para atrair investidores para a compra das ações da CVC, a Apex ofereceu uma garantia duvidosa. Ela prometeu ao investidor que ele ficaria com a valorização das ações caso elas subissem, mas recebia ao menos 100% do CDI se caíssem ou ficassem estagnadas — uma promessa de risco zero embora se tratasse de um ativo de renda variável, negociado na Bolsa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.