Vitória de Lula contraria cenário esperado pelos investidores e gera ajustes de preço severos
A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição de domingo contraria o cenário-base esperado pelos investidores.
Como o mercado não estava posicionado para esse desfecho, é aguardado um ajuste de preços severo nesta segunda-feira (26).
A expectativa é de forte volatilidade, com tombo na bolsa e disparada do dólar e dos juros futuros, até que o governo novo reforce algum compromisso com a responsabilidade fiscal.
São esperados "circuit breakers" na bolsa brasileira hoje, um mecanismo de segurança que interrompe as negociações temporariamente quando o Ibovespa desaba mais de 10%.
O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, tombava 27% antes da abertura do mercado nesta segunda-feira, refletindo o primeiro movimento dos investidores internacionais à eleição de Lula.
Contudo, o EWZ não pode ser usado como uma projeção direta da intensidade da variação do Ibovespa na abertura dos mercados no país, dado que o indicador internacional também embute um provável salto do dólar nos negócios desta segunda-feira.
Sob a ótica do mercado, Flávio seria capaz de, enfim, interromper o ritmo de alta da dívida federal.
A saída de Lula representaria um horizonte de menor risco fiscal e inflação e juros menores.
Assim, a continuidade de Lula no poder representa o contrário para os investidores: maior risco fiscal e inflação e juros maiores, apesar de Flávio ter anunciado medidas que dificultavam a adoção de um ajuste fiscal mais duro, como ele havia prometido.
"Os sinais apontam para uma queda expressiva do Ibovespa, revertendo boa parte do movimento que vimos após o primeiro turno, quando a vitória de Flávio alimentou a expectativa de uma política econômica mais favorável ao mercado e mais comprometida com o fiscal", afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
"Com isso, o trade eleitoral perde força", diz.
Em uma virada histórica, Lula se reelegeu ontem, conquistando a Presidência da República pela quarta vez.
No segundo turno, Lula obteve 64,2 milhões de votos, ou 51,8% dos válidos.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conseguiu 59,8 milhões de votos, ou 48,2%.
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