Quanto custa sustentar a vida que os outros esperam de você?
Quando você estiver lendo esta coluna, já saberemos quem será o próximo presidente do Brasil.
Desde que me entendo por gente adulta, não me lembro de ter acompanhado uma eleição tão confusa, acirrada e carregada de cólera.
Mais do que a disputa pelo voto, o que impressionou, não apenas a mim, suponho, foi a intensidade das emoções, a intolerância diante de opiniões divergentes e, sobretudo, a cobrança para que todos se posicionassem publicamente.
Nas redes sociais, vi pessoas sendo pressionadas a se posicionar e outras que, ao finalmente fazê-lo, me pareceram mais constrangidas do que convencidas de que aquela exposição era necessária.
Talvez algumas estivessem genuinamente interessadas em manifestar suas preferências políticas.
Outras, tenho para mim, apenas tentavam se livrar da pressão.
Achei curioso.
Vivemos em um país onde o voto é secreto, um direito assegurado pela Constituição Federal, mas nessa eleição a decisão de revelar ou não uma escolha tão pessoal foi transformada em uma espécie de obrigação social.
Como se não bastasse exercer o direito de escolher, fosse preciso também demonstrar publicamente que escolhemos aquilo que esperavam de nós.
Não pretendo (e nem tenho a intenção) de discutir política nesta coluna, muito menos o posicionamento de quem quer que seja.
O resultado das urnas ontem já fala por si.
O que me interessa na reflexão de hoje é outra coisa.
É sobre o quanto estamos dispostos a abrir mão de nossas vontades, preferências e até de alguns direitos e de privacidade para corresponder às expectativas dos outros.
Esse processo eleitoral me fez pensar em quantas vezes fazemos isso em muitos aspectos da nossa vida sem nem mesmo perceber.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.