Dívida dos EUA supera US$ 40 tri pela primeira vez, e custo dos juros aumenta pressão sobre Trump
A dívida bruta dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões nesta quarta-feira (19), consolidando um dos maiores desafios econômicos do segundo mandato de Donald Trump.
O endividamento americano praticamente dobrou desde 2017 e continua crescendo apesar das promessas do governo de reduzir gastos e controlar o déficit.
Dados do Departamento do Tesouro mostram que a dívida chegou a cerca de US$ 40,05 trilhões. Desse total, aproximadamente US$ 32,3 trilhões correspondem a títulos em poder de investidores e US$ 7,8 trilhões são obrigações entre órgãos do próprio governo.
O marco ocorre em um momento particularmente delicado para as contas públicas.
Nos dez primeiros meses do ano fiscal de 2026, encerrado em julho, o governo americano acumulou US$ 1,8 trilhão de déficit, mais do que em todo o ano fiscal anterior. Mantido o ritmo atual, o rombo deve superar US$ 2 trilhões até o fim do exercício.
A combinação entre dívida elevada, déficits persistentes e juros altos já começou a aparecer no mercado. O rendimento dos títulos do Tesouro americano de 30 anos chegou nesta semana a cerca de 5,33%, o maior nível desde 2007.
O tamanho da dívida é resultado de um processo que atravessa diferentes governos e partidos.
O endividamento americano aumentou fortemente durante a pandemia, quando Washington lançou programas de estímulo para evitar uma recessão mais profunda. A dívida também continuou crescendo nos governos de Trump e Joe Biden por causa de gastos com programas sociais, infraestrutura, defesa e outras políticas públicas.
Segundo a Reuters, o endividamento aumentou cerca de US$ 11,6 trilhões durante os dois mandatos de Trump e aproximadamente US$ 8,4 trilhões durante a presidência de Biden. A comparação, porém, precisa ser vista no contexto da pandemia, que provocou uma explosão dos gastos federais no primeiro mandato de Trump.
O que mudou agora é a velocidade com que o passivo está avançando. A dívida passou de US$ 39 trilhões em março para US$ 40 trilhões apenas cinco meses depois. Em junho, o Comitê Econômico Conjunto do Senado calculava que o país só chegaria a US$ 40 trilhões em setembro, mas a deterioração fiscal acelerou o calendário.
O problema não é apenas o tamanho da dívida, mas quanto custa financiá-la.
O governo americano pagou cerca de US$ 963 bilhões em juros líquidos entre outubro de 2025 e julho de 2026, segundo dados do Congressional Budget Office. Isso equivale a mais de US$ 3 bilhões por dia.
A despesa com juros já supera o gasto federal com programas importantes e se tornou uma das maiores rubricas do orçamento. A Reuters destaca que o serviço da dívida passou a superar inclusive os gastos com o Medicare e se aproxima do topo das despesas federais.
Esse mecanismo pode criar um círculo difícil de interromper: quanto maior a dívida, maior a necessidade de emitir títulos; quanto maiores os juros exigidos pelos investidores, mais dinheiro o governo precisa destinar ao serviço do passivo; e quanto maior a despesa com juros, maior tende a ser a necessidade de novos empréstimos.
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